Propósito deste Blog.
Este blog tem o propósito de ajudar os irmãos Católicos a exclarecer sertas dúvidas e questionamentos que a Igreja Católica vem enfrentando nestes últimos tempos. Jesus já disse que a Igreja iria enfrentar isso, então irei defender os principios da fé assim como São Luís, da França os defendeu. Por esse motivo que o nome do Blog é este, pois a Igreja, mesmo sendo atacada por dois mil anos, sobrevive até hoje. Nem uma instituição ou governo teve uma lista de líderes por tanto tempo como a Igreja Católica teve. Nossos Papas cuidam da nossa fé para levar as almas ao céu através da verdade que Cristo deichou para a Igreja Católica, por isso criei este Blog para exclarecer estes questionamentos e perguntas que surgem a todo momento.
OBS: Este Blog, não foi feito para debates, qualquer estimulo de debate que for notado nos comentários será deletado, independentemente de ser católico ou não.
Todos os artigos deste blog, poderam ser publicados, dês de que seja revelada a fonte e o autor deles.
Talvez eu modifique os meus textos dando mais conteúdo a eles, por isso não se assuste se notar algo diferente neles.
Oração a São Luís, da França:
"Ó Deus, que transferistes São Luís dos cuidados de um reino terrestre à glória do Reino do Céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia, e trabalhar para a vinda do vosso Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém."
Pai nosso... Ave Maria... Gloria ao Pai..
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Oração a São Luís, da França:
"Ó Deus, que transferistes São Luís dos cuidados de um reino terrestre à glória do Reino do Céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia, e trabalhar para a vinda do vosso Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém."
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Stigmata - Filme
Stigmata - Filme
O quinto evangelho, segundo o herético filme norte-americano Stigmata, teria sido escondido do mundo pela Igreja Católica para que esta assegurasse seu poder. O quinto evangelho anunciaria o sentimento religioso, a desnecessidade de cumprir quaisquer ritos religiosos e o culto exclusivo a um Deus tão interior e pessoal quanto o umbigo do fiel. São estas as principais heresias desse filme que integra a última fornada de filmes anticristãos, entre os quais se incluem desde 'O Padre', da Walt Disney, até 'Dogma', da mesma produtora. No entanto, e apesar de ser forte a concorrência, Stigmata é de longe o mais herético, e foi por isto o único a merecer um artigo.
Mas ainda não disse tudo. Releio a última frase acima e vejo que faltou dizer o principal, aquilo que realmente me motivou a escrever estas linhas: faltou dizer que Stigmata é um filme diferente. Ora, não há um único filme hoje em dia que não seja ou contenha algo de anticristão. Vivemos numa espécie de militância constante; cada filme, cada revista, a cultura toda parece estar unida em torno de uma única coisa, a crítica ao cristianismo. Ora, se isso é verdade, por que escrever a resenha de mais um filme anticristão? Por que se importar? Como disse, Stigmata é um filme diferente pois traz .. uma "boa mensagem". Quase diria, uma "boa nova", um novo - "o quinto" - evangelho.
Botando os pés bem firmes no chão, sabemos que a ideia de um quinto evangelho escondido pela Igreja é, em si mesma, absurda. Mais ainda, sabemos que um evangelho tal como o proposto pelo filme seria a negação direta dos outros quatro evangelhos. Em outras palavras, o quinto evangelho seria a inversão do catolicismo - ou seja, algo de puramente sinistro. Mas o que mais me espanta é saber de pessoas que assistiram o filme e saíram felizes, acreditando que o filme encerrava uma mensagem de bem. "Chegará um tempo em que aqueles que vos perseguirem acreditarão estar a serviço de Deus". É curioso observar que o slogan do filme diz, sem ironia, que Stigmata "trará o inferno para dentro de você".
Quanto às ideias principais deste quinto evangelho, conforme descritas no primeiro parágrafo desse texto, não passam de absurdos puro e simples. A ideia da Igreja ter escondido o evangelho para manter seu poder não só confunde poder temporal com autoridade espiritual - separação aliás que é justamente uma das marcas do catolicismo, sobretudo ao compará-lo com o mundo pagão da época - como faz tábula rasa dos 300 anos de martírio na fundação mesma da religião, e de toda a Idade Média. De fato, o poder temporal do catolicismo, tal como o conhecemos, data da Renascença.
Já a ideia do primado do sentimento religioso sobre a fé, fruto da concepção de um Deus pessoal, é um deleite pela facilidade de se ver refutada: em primeiro lugar, o sentimento religioso é um sentimento, provém dos sentidos, portanto. Já a fé é uma adesão da inteligência a uma Verdade intuída, logo é um ato de intelecção. Assim sendo, afirmar o primado do sentimento religioso sobre a fé é o mesmo que afirmar o primado dos sentimentos sobre a inteligência, o que é estúpido; em segundo lugar, o sentimento religioso, a religiosidade, tal como definida usualmente, é comum a todos os homens, independente de serem cristãos, judeus ou pagãos. Ora, se o sentimento religioso é superior à fé, para que, então, ocorrem as revelações? Por que o Cristo então incentivou tão acentuado desvio em relação ao mundo pagão? Qual o sentido do martírio, não apenas dos primeiros cristãos, mas do próprio Cristo?
A ideia do Deus pessoal, epítome dessa brincadeira ímpia chamada New Age, não passa de uma tolice kantiana digna de Shirley McLaine e indigna de qualquer pessoa que queira ser levada a sério. Que absurdo este que coloca sobre o sacrifício muito objetivo do Cristo no Gólgota a própria subjetividade! Crer num Deus pessoal, subjetivo, significa necessariamente que:
a. Deus existe somente subjetivamente; ou que
b. Deus existe objetivamente, mas só pode ser conhecido subjetivamente.
A primeira conclusão significa precisamente que Deus não existe e, portanto, tanto faz se nele cremos ou não. A segunda conclusão, por sua vez, significa que Deus existe mas não podemos crer nele, pois não é possível crer ou descrer em algo que desconhecemos totalmente. Deus, segundo esta última conclusão, teria provavelmente, em sua infinita sabedoria, criado a imaginação para completarmos Sua ausência com nossa criatividade... Seria como um pai que abandonasse as crianças embaixo da ponte e lhes desse, como consolo, uma caixinha de lápis de colorir. O que mais me impressiona nesta teoria, uma das favoritas do festivo movimento New Age, é ver a quantidade de livros que sobre esse assunto são publicados; ora, se Deus é pessoal, se não pode ser conhecido objetivamente, o que adianta escrever a Seu respeito?
Resta por fim, entre as várias heresias do filme, analisar justamente aquela que leva o título. Não importa o que possam dizer os protestantes, os espíritas, os umbandistas, pois estigma é sinal de santidade. Francisco de Assis, após toda uma vida de santidade, recebeu, no momento mais sublime de sua história, as 5 chagas do Cristo. Um outro exemplo é o do recém beatificado Padre Pio, cujo processo de canonização está sendo movido pelo próprio Papa João Paulo II, testemunha ocular de um dos seus milagres. O capuchinho de Pietrelcina, que hoje só perde em devotos na Itália para o próprio Francisco de Assis, portou durante 50 anos as chagas, e é grande o número de fotos do frade e seus estigmas1.
Podem, alguns argumentar que se trata apenas de uma ficção, mas a história está repleta de exemplos de ficções que, à opinião pública, tornaram-se realidade: tome os exemplos dos papas Alexandre Bórgia2 e Pio XII, por exemplo. Em ambos os casos, bastou uma simples peça de teatro difamatória para macular a imagem destes grandes papas para todas as gerações posteriores. A falta de informação da maioria das pessoas faz com que, a seus olhos, a ficção se torne verossímil - o que já é motivo suficiente para se combater o filme. Pois consentir na sua verossimilhança, já é concorrer para a apostasia.
Notas:
1 Remeto o leitor ao site http://www.capuchinfriars.org.au/padrepio.htm ou o mais completo http://www.abol.it/padrepio.
2 O papa Alexandre VI, avô de S. Francisco de Bórgia, teve de fato amantes, a maioria das quais antes de ter sido ordenado, mas nunca foi provado, e é de fato inverossímil que tenha tido a própria filha como amante. Quando repreendido por sua conduta, o papa pediu publicamente perdão por suas faltas e só não deixou a Santa Sé porque os fiéis, em reconhecimento de tudo aquilo que ele havia feito pela Igreja, foram contra.
Autor: Alexandre A. Bastos
Fonte: Lista Reflexões
sábado, 15 de janeiro de 2011
Você já se perguntou porque o Vaticano convida ateus e agnósticos para sua pontifícia academia de ciências?
"Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio. Pioneiro nos estudos sobre interface cérebro-máquina, suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).
Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science.
Na quarta-feira da semana passada, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Em mensagem enviada ao blog de Luís Nassif, 10-01-2011, ele reage às críticas que tem recebido por ter aceito ser membro da Academia Pontifícia.
Eis a mensagem:
Sou leitor assíduo desse blog, então não tinha como me conter e resolvi responder aos absurdos postados nesse tópico que diz respeito a mim.
Primeiro, sou um cientista brasileiro, ateu, pró-legalização do aborto, pró união civil dos homosexuais e pró Dilma. Fui convidado a me tornar membro da mais antiga academia de ciências do mundo, a mesma a que Galileu Galilei foi membro. Aceitei o convite, pois esse foi feito com a garantia que a academia se interessa pela minha ciência e não pela minha opção (ou falta de opção) religiosa.
Espanta-me verificar que mesmo num site progressista ocorra o grau de patrulha ideológica (ou religiosa) que encontrei nos comentários (do Blog) Meu outro colega de Academia é o físico Stephen Hawking, que professa as mesmas opiniões que eu. Agora eu me pergunto, a troco de que eu iria recusar a oportunidade de bater bons papos com um dos maiores físicos da história?
A Academia de Ciências deixa claro nos seus estatutos que nenhum dos seus membros precisa acreditar em Deus ou ser membro da religião católica.
Entao, a título de esclarecimento, gostaria de deixar registrado que toda vez que eu for convidado a participar do mesmo clube frequentado por gente como Galileu e Stephen Hawking, vocês podem estar certos que eu vou aceitar. Mesmo que fosse a Academia de Ciências da Gaviões da Fiel! E para um palmeirense dizer isso não é fácil, não."
Fonte:
http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/20427-voce-ja-se-perguntou-porque-o-vaticano-convida-ateus-e-agnosticos-para-sua-academia-de-ciencia
Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science.
Na quarta-feira da semana passada, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Em mensagem enviada ao blog de Luís Nassif, 10-01-2011, ele reage às críticas que tem recebido por ter aceito ser membro da Academia Pontifícia.
Eis a mensagem:
Sou leitor assíduo desse blog, então não tinha como me conter e resolvi responder aos absurdos postados nesse tópico que diz respeito a mim.
Primeiro, sou um cientista brasileiro, ateu, pró-legalização do aborto, pró união civil dos homosexuais e pró Dilma. Fui convidado a me tornar membro da mais antiga academia de ciências do mundo, a mesma a que Galileu Galilei foi membro. Aceitei o convite, pois esse foi feito com a garantia que a academia se interessa pela minha ciência e não pela minha opção (ou falta de opção) religiosa.
Espanta-me verificar que mesmo num site progressista ocorra o grau de patrulha ideológica (ou religiosa) que encontrei nos comentários (do Blog) Meu outro colega de Academia é o físico Stephen Hawking, que professa as mesmas opiniões que eu. Agora eu me pergunto, a troco de que eu iria recusar a oportunidade de bater bons papos com um dos maiores físicos da história?
A Academia de Ciências deixa claro nos seus estatutos que nenhum dos seus membros precisa acreditar em Deus ou ser membro da religião católica.
Entao, a título de esclarecimento, gostaria de deixar registrado que toda vez que eu for convidado a participar do mesmo clube frequentado por gente como Galileu e Stephen Hawking, vocês podem estar certos que eu vou aceitar. Mesmo que fosse a Academia de Ciências da Gaviões da Fiel! E para um palmeirense dizer isso não é fácil, não."
Fonte:
http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/20427-voce-ja-se-perguntou-porque-o-vaticano-convida-ateus-e-agnosticos-para-sua-academia-de-ciencia
Esta notícia pode ser preocupante. Segundo Olavo de Carvalho, em seu último programa semanal, True Outspeak, pode haver uma infiltração do maligno na Igreja por cientistas gayzistas e pró aborto, como é o caso do Dr. Nicolelis.
O problema em si não é ser um ateu, isto em todo caso é até bom para mostrar a seriedade da academia do Vaticano, todavia, ser um abortista e um gayzista (e um petista também) pode, em médio prazo, ser um gol contra por parte da academia, pelo fato do Dr. Nicolelis poder, agora, falar em nome da Academia do Vaticano para o Brasil e América Latina, ele pode, sem ter medo, causar graves conseqüências - talvez permanentes no Brasil - a visão que a sociedade (que já é bem deformada pela mídia e outras igrejas, fora os ateus militantes...) tem da Igreja.
Rezo para que o Dr. Nicolelis consiga uma coisa que jamais conseguiu fazer aqui no Brasil, ou nos EUA, DAR OUVIDOS A CIÊNCIA. O Fato de ser gayzista e abortista, sem dúvidas, já o invalida como cientista sério (ou que pelo menos de ouvidos aos fatos científicos sobre estes assuntos). Talvez até, se ele abrir os olhos, ele possa se converter na Pontifícia academia de Ciências do vaticano.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Celibato.
O sacerdote e o profeta cambaleiam embriagados, tontos de vinho, a vista embaralhada no momento das visões. As mesas estão cheias de vômito [cena típica de uma embriaguez coletiva]). É só lei e mais lei. (Is 28, 7ss.)
Aquilo que Deus pede de nós se torna uma língua estrangeira se estamos embriagados.
Por que tomei este versículo? Por que é justamente este o problema do celibato na Igreja. Muitos falam de crise de vocações e dizem: a falta de vocações é um problema, por que a Igreja de Roma, o bispo de Roma, que é um usurpador dos direitos das dioceses, das Igrejas Particulares, ele quer impor a todos o celibato. Existem alguns padres no Brasil, e não estou dizendo uma teoria, estou denunciando uma realidade da Igreja do Brasil – que dizem assim: Se o Papa quer o celibato, que ele viva! Nós não queremos! Queremos a liberdade do celibato, e já que o Papa não libera o celibato, nós vamos liberar na prática. O Papa é um velho de 80 anos, mas nós somos jovens, queremos viver o amor livre. Isto já é um movimento dentro da Igreja do Brasil. Não pensem bondosamente que esta mentalidade é uma luta pelo padre casado. O casamento supõe castidade cristã, supõe fidelidade, e isto também é complicado. Achamos que castidade é difícil só para quem é celibatário. Não, castidade é desafio para todos, também para quem é casado. Muitos jovens me dizem: Não sei como você agüenta o celibato, e eu respondo: Não sei como você agüenta a castidade no casamento, pois ela é dura e difícil. Existe um movimento ideológico, sem nome, sem partido, sem registro no cartório, mas está aí este movimento que quer acabar com o celibato na prática. E digo isto sem medo de errar, e para abrir os olhos de muitos de vocês. Esta realidade é a fumaça do demônio dentro da Igreja Católica do Brasil. E então se diz: Faltam padres por causa do celibato, por causa desta cruz pesada que o Bispo de Roma impõe aos padres do ocidente.
O que falta não são vocações, o que falta é fé. A crise na Igreja Católica, de modo especialíssimo, a crise da Igreja Católica no Brasil, é uma crise de fé. As pessoas não acreditam mais. Por que crise de fé? Preciso dizer bem claro: por que o celibato é um carisma e fica muito difícil entender um carisma se não tenho fé. Por exemplo, é difícil acreditar que o dom de línguas é um dom de Deus se você não tem fé. Torna-se um negócio ridículo pura e simplesmente. Se Deus não age, se não é ação de Deus, como é que algo vai ser carisma, como é que vamos acreditar no dom de cura, nos milagres, no dom de profecia, no dom de palavra de Sabedoria. Como vamos acreditar em um carisma se não temos fé? A mesma coisa acontece com o celibato. O que falta é a fé!
É na falta de fé que está a raiz do problema. Que falta de fé é esta? Fé em quê? Fé em acreditar que a proposta do Evangelho é caminho de felicidade!
Bismarck, famoso ditador da Alemanha, dizia que uma mentira dita um milhão de vezes, torna-se verdade. É assim na cabeça do povo, especialmente do povo brasileiro. A mentira dita um milhão de vezes é a seguinte: Ninguém é feliz sem sexo! Portanto, o sexo tornou-se um valor absoluto, ele traz a felicidade, em si mesmo! Em palavras mais claras: o sexo tornou-se Deus. Pois, uma coisa que em si mesma traz a felicidade é Deus, não é? Na realidade, muitos têm um outro Deus, um Deus que não é Deus – o Deus do sexo. É necessário que voltemos à fé do evangelho, que acreditemos realmente naquilo que o Senhor nos propõe – a castidade cristã, o celibato.
Como vamos chegar a isto? Apontamos até agora o problema, precisamos então resolvê-lo. Este problema precisa ser resolvido primeiro dentro da gente, para que possamos também pregar isto. Um padre que não acredita na felicidade do seu celibato, será um padre que não empolga ninguém. Ninguém se empolgará com um padre cabisbaixo, entristecido – Infelizmente não tenho mulher, fazer o quê!. Onde é que está a felicidade, a beleza do celibato?
Num primeiro momento, precisamos ver a beleza da sexualidade humana. O nosso tempo perdeu a noção de beleza da sexualidade. Não temos mais noção da beleza, pois o belo é algo gratuito, é inútil. Nós, por outro lado, estamos em uma sociedade onde o que vale é o que é útil, então, claro, o que é belo não tem utilidade. Fizemos uma reforma no seminário de Cuiabá, construímos uma capela bonita. Quantos padres entraram lá e disseram: Pra quê você gastou tudo isso? Por que realmente é inútil, o belo é inútil, e por isso, está desaparecendo! Ninguém se preocupa com o belo.
Se há alguma preocupação, é pelo seu próprio belo, numa visão narcisita – Eu preciso ser bonito. Produzir a mim mesmo.
Existe uma beleza em ser como Jesus e ser e sonhar como Jesus é. Existe uma beleza na sexualidade que Deus nos deu. Se queremos a beleza de ser como Jesus, precisamos entender primeiro a beleza da sexualidade humana. A sexualidade humana é uma obra de arte, uma maravilha.
E este é o primeiro passo que precisamos dar como celibatários ou futuro celibatários:
1º – Eu preciso arrancar o sexo das mãos do demônio e colocá-lo nas mãos de Deus
Pois, de tanto ver o sexo negativamente, muitas vezes, vemos o sexo como coisa do demônio. É como se Deus tivesse criado o homem assexuado e o demônio foi e criou o sexo. Mas o sexo é criação de Deus, portanto, é uma beleza. Como padres celibatários, precisamos saber cantar a beleza da sexualidade humana: o sexo é bonito, é maravilhoso, é um presente de Deus. Que, infelizmente, como tudo o que faz o demônio invejoso, ele pega o que é de Deus e perverte. O sexo foi feito para ser vivido no amor de total doação de um homem por uma mulher e de uma mulher por um homem, para que os dois dêem origem à vida. Meu próprio corpo fala isso. O corpo humano é um sacramento que me indica. O sexo fala de mim, da minha pessoa. O sexo fala de onde eu venho e para onde eu vou. De onde eu venho? De uma doação mútua de um homem e de uma mulher. Eu mesmo sou um presente. Um presente que foi me dado por Deus. Que eu mesmo recebo, eu me recebo como presente de Deus. A sexualidade humana me fala deste dom gratuito, aleatório, parece louco, caótico, mas não é um mero acaso, é a vontade divina. A união de um homem e de uma mulher me fez puro dom e presente de Deus. O sexo fala da minha origem: eu não me mereci, não me planejei, nem meus pais me planejaram, eles nos receberam. O meu corpo não só fala da minha origem mas fala para onde vou? Qual é o meu destino. Meu corpo fala-me que nasci para amar. É aqui que vem outra verdade importante: é necessário que saibamos que fomos feitos para ter uma relação sexual com uma mulher. Parece bobagem dizer isto, mas muitos não se dão conta disso. Muitos pensam que celibato é solteirice, ou seja, sou solteiro para o resto da vida. Mas o celibatário não é um solteiro. Um solteiro é alguém que aguarda o encontro da pessoa para a qual ele vai se doar, no amor do matrimônio. O celibatário é outra coisa.
É importante que saibamos que cada célula de nosso corpo, tudo aquilo que somos, o nosso corpo nos diz que fomos feitos para nos entregarmos a uma mulher. Só este pequeno capítulo aqui é uma cura interior, que deve ser muito bem trabalhado, em oração de cura interior, para aqueles que, possivelmente, não aqui, na lua, para aqueles que tenham alguma tendência homossexual, mas não aqui, na lua – aqui não tem ninguém. O fato de termos nascido para nos entregar a uma mulher é uma verdade de Deus, esta é a verdade a meu respeito. Não existe esta mentira de que é questão de opção sexual – Ah não, eu opto! Como posso escolher entre o sorvete de morango ou de chocolate, eu opto entre ter sexo com um homem ou uma mulher! Esta é uma mentira que qualquer manual de biologia da oitava série pode desmentir. Por que você estuda aparelho reprodutor em um capítulo e aquilo significa reprodução. E não adianta fazer raciocínios mil – a verdade de Deus é esta! É a verdade escrita por Deus em nosso corpo. O meu corpo fala de mim. Se Deus quer de mim o celibato, aqui se supõe um carisma, uma graça. É por isso que ninguém acredita no celibato. Por que? Por que se não houver intervenção de Deus, não tem sentido. E agora eu pergunto: esta sociedade que está aí fora e até mesmo muitos padres, acreditam que Deus age em nossas vidas? Estou convidando vocês para que entrem em uma visão de mundo diferente. Apaga da sua cabeça o que você recebeu de errado de uma sociedade pagã e ponha agora a verdade cristã em sua cabeça e em seu coração. A verdade cristã é a seguinte: Deus age, Deus está presente em nossa história, Deus intervém, não necessariamente milagrosamente, mas intervém sobrenaturalmente sempre. Tomamos café da manhã, agradecemos a Deus pela comida, mas, não aconteceu nenhum milagre. Deus não proviu miraculosamente o alimento.
Nesta realidade perfeitamente natural, você enxerga uma intervenção divina, por que você tem fé. Quem não tem fé, come de qualquer jeito. É maravilhoso enxergar a ação de Deus nas coisas mais corriqueiras e banais. Temos que agradecer a Deus por tudo aquilo que nos dá e também por aquilo que ele nos nega. Quando diz não é por que ama você. Agradeça a Deus também por aquilo que ele nunca te deu. Temos que entrar em uma outra visão do mundo, ver Deus que está ao nosso lado Emanuel – Deus conosco – este é o mistério que celebramos no Natal. Deus está conosco, caminha junto conosco. Não é o grande arquiteto que criou o mundo e largou-o. Se você existe agora, é porque Deus está sustentando você no ser. Se ele tira a mão, você cai no nada. O próprio fato de você existir é plena atestação e testemunho da fidelidade de Deus. Não somos seres autônomos, somos seres recebidos. Deus sustenta o mundo no ser. E isto é importantíssimo em nossa espiritualidade – ele intervém em cada momento, em cada segundo para que você exista. É intervenção divina. Aquilo que nós chamamos de lei da natureza na teologia chamamos de fidelidade de Deus. Lei da natureza: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Lei da teologia: uma vez criado, Deus não volta atrás, ele não se arrepende, pois ele é fiel. O celibato é intervenção divina. Por isso, é muito claro e evidente que em uma sociedade e em uma Igreja em crise, onde as pessoas já não acreditam mais, é óbvio que o celibato não faz sentido. Claro, eles olham a natureza das coisas, o homem foi feito para a mulher e vice-versa, e pronto. E ficam nessa realidade, na realidade puramente física, não olhando na realidade da intervenção de Deus. O trecho de Isaías que eu citava no início, expressa a realidade de muitos padres que na hora da visão, têm as vistas cansadas, não enxergam as coisas como Deus as enxerga e como a Igreja nos ensina. Por isso o primeiro passo deve ser um ato de fé.
2º – O celibato é um carisma, intervenção de Deus.
Então, o celibatário não é alguém que abomina o sexo, mas alguém que ao celebrar o sexo e perceber que o sexo é algo tão maravilhoso e tão bonito, é capaz de entregá-lo para Deus. Entregar a sexualidade bela para Deus. E como vamos entregar? Isto é carisma, é dom de Deus. Pois é ele que nos dá a capacidade de amar. Se existe alguém que ama na face da terra é por que o Espírito Santo nos deu este presente.
3º – Eu sou um dom recebido, feito para ser doado.
Isto quer dizer que somos filhos. O filho é aquele que se recebe. Eu não me fiz. Não sou um cogumelo que brota na grama sem pai nem mãe. Me recebi como dom e como presente. Desta verdade tenho a lei fundamental de capacitação para a castidade cristã e para o celibato. A lei fundamental é a seguinte: só é celibatário quem sabe que é amado e sabe que é capaz de amar. Temos então dois grandes entraves, dois grandes problemas em nossos seminários – muitas vezes por um ou por outro problema, ou pelos dois problemas, o seminarista não é capaz de amar, não é celibatário. O seminarista não se ama, não enxerga que recebeu amor e então, não é capaz de amar. O que é o amor? É a doação de si! Ou seja, eu sei que alguém se entregou por mim, eu sei que alguém me amou, sei que sou amado. Dizer que somos amados significa que alguém se entregou por mim, alguém se destruiu para que eu fosse. Alguém entregou algo de si ou todo o seu ser para que eu fosse. E a grande verdade é esta: nós somos amados primeiramente, especialmente, por Deus! Deus se entregou por mim, portanto, se não há esta verdade em minha vida, eu não serei celibatário. Um padre frustrado, que não se sente amado, pode ser casto como um anjo, mas isto não é verdadeira castidade. Pode ser puro, sem sexo, mas não é celibatário. A cadeira na qual vocês estão sentados, também é pura e sem sexo, mas não é celibatária. Por que? Por que ela não sabe que é amada! O celibato é uma realidade de amor: Eu sou amado e por isso também amo! Que coisa extraordinária que eu exista! Que coisa extraordinária que Deus tenha me escolhido, que eu tenha nascido! E quanto menos dotado, bonito, inteligente você for, mais está clara a predileção de Deus!
Um testemunho: eu antigamente, me odiava, não gostava de mim mesmo! Desde os 12 anos de idade, pus na cabeça que queria ser padre. Já pensava isto antes, mas só aos doze anos as coisas se definiram. A coisa para mim estava certa. Tive mudanças quanto a conversão, o que é diferente. Vocação não significa necessariamente conversão. Tem muito padre que necessita de conversão. Eu não gostava de mim mesmo! Sempre fui assim: 1,84, magro, como sou hoje! Imagine só: com quinze anos de idade já tinha esta altura! Era muito magro, mais magro do que sou hoje! Quando fui para Roma, engordei quase 20 quilos. Imagine como eu era magro! Pois bem, eu andava sempre de social, camisa de manga comprida, alguém me perguntava: por que você anda assim? Eu vou ser padre!
Então eu já era padrequinho desde os 12 anos de idade. Desculpava-me dizendo: pudor eclesiástico, compostura eclesiástica. Que nada, eu tinha era vergonha do meu corpo. Usava manga comprida por que achava meu braço horroroso, magrelo. Depois veio a adolescência, começou a ficar cabeludo, parecia que eu era o elo perdido entre o homem e o macaco. Um palito seco e cabeludo – que coisa linda! Na casa de meus pais tinha piscina, mas era preciso pagar um alto salário para eu entrar na piscina: Eu não entro na piscina, vou ser padre! Que nada, eu tinha era vergonha de tirar a camisa. Tinha vergonha de aparecer sem camisa. Depois começou o cabelo a cair, esta testa avantajada, sinal de grande inteligência. Fui dotado também de orelhas discretas, dentes charmosos, além de ter este tórax imenso, de nadador da seleção brasileira. Era uma tragédia. Eu definitivamente não me amava. Então, o que é que eu fiz: mergulhei nos estudos. Pelos menos no que dizia respeito a roupa bonita e notas, ninguém poderia dizer que eu era feio. Tinha nota boa, era elegante. Tudo bem! Eu me amava assim! Até que finalmente, Deus é Deus, e ele foi mostrando o seu amor por mim. O que me levou a ver o amor de Deus: um pensamento muito simples. Gostava muito de matemática, e comecei a calcular a probabilidade de nascer um outro filho de meu pai e de minha mãe que fosse muito mais bonito do que eu. E esta probabilidade não era muito distante. Minhas irmãs são as duas muito bonitas, de feioso na família só saí eu.
Quem as conhece, logo pergunta – São suas irmãs? Olha para mim, olha para elas e diz: Não acredito! Eu pensei – quantos homens mais bonitos do que eu poderiam ter nascido do meu pai e de minha mãe. Chutando por baixo, 1 bilhão! Pois bem, imagine um exército imenso, os mais bonitos na frente, Deus se reúne e escolhe a mim. E Deus diz: O feioso e orelhudo ali no fundo! Quem, eu? É você! Você que irá nascer! Os outros mais bonitos, hábeis, inteligentes, não irão nascer, pois foi a mim que ele amou, ele me quis. E foi isto que me salvou! Hoje tiro a camisa, faço festa, e não há problemas! Não tenho mais complexo com relação ao meu corpo. Podemos pensar outras dez mil coisas, mas é importantíssimo que você saiba que Deus amou você se quer realmente ser celibatário. Se receba como presente – Ele me quis!
Como é que eu sei que posso amar? Aqui, temos o dom, a graça, o privilégio do Espírito Santo. É um dom infinito de Deus quando um homem aprende a amar. Só as pessoas humanas amam. Amar quer dizer renunciar para que o outro seja feliz! E existe aqui o fundamento da nossa liberdade: “O homem é livre na medida em que não depende de nada, e de ninguém, mas apenas daquilo que ama!” (Amedeo Cencini).
A conseqüência lógica é ao contrário: O homem é escravo quando depende daquilo que não pode e não deve amar! Ou porque aquilo não é digno de ser amado, ou porque a sua identidade não está ali. Eu nasci para amar alguém. E quando começo a amar coisas que eu não deveria amar, perco a minha liberdade, a minha identidade. Esta definição de liberdade é de uma verdade psicológica, teológica, filosófica, espiritual, que merece o prêmio Nobel de filosofia, se existisse. Se você é livre é porque você não depende de nada, nem de ninguém, a não ser daquilo que você ama. Eu amo a Deus. Se você ama a Deus, ou você está aprendendo amar Deus, ou você deseja amar Deus, pois bem, dependa só dele, não dependa de mais nada. Seja livre! É neste ponto que se revela diante de nossos olhos a maravilha do celibato.
O celibato não é uma lei, como diz Isaías: lei mais lei. O celibato não é questão de lei, é liberdade. É a liberdade que a Igreja concede aos padres. Liberdade maravilhosa, de só depender daquele que eu amo, e de mais ninguém. Se você nasceu para amar uma mulher e para se entregar a ela, por que esta é a vocação de Deus, e este é o carisma do matrimônio, que Deus te dá, então você casa, se entrega àquela mulher, e fazendo isto você está também amando a Deus, pois está obedecendo a ele. Mas nós padres somos chamados a ser livres totalmente, e isto quer dizer amar somente a Deus e ser livre com relação a tudo o mais. É o espaço da liberdade que se abre diante de nossos olhos. Porém, temos que lembrar que este celibato é humano. Você é capaz de amar. Vemos que somos capazes de amar por que isto nos atrai, por que vemos esta capacidade dentro da gente. Que maravilha poder amar, poder me doar, me derramar de amor! Este é um dom extraordinário de Deus.
Precisamos agora, depois de ter colocado fundamentos teológicos e psicológicos para o celibato, passar para a parte prática. É preciso que tudo isto se transforme em vida.
Não existe muita mágica, mas existe vida! Não é mágica ser celibatário. Existe uma realidade importante: nós não inventamos o celibato. Você não precisa experimentar tudo para o celibato dar certo. Existe uma tradição bonita e antiga dentro da Igreja que nos ensina a ser celibatários. Uma das coisas maravilhosas do Concílio Vaticano II e da Renovação Carismática é o retornar às fontes, às origens, nos padres da Igreja. Nada é mais em sintonia com a Renovação Carismática do que cultivar uma espiritualidade dos Padres da Igreja.
Uma dica: a Renovação Carismática tem no mundo duas correntes teológicas: a corrente americana, que é a original, e que a meu ver não é a melhor. A sociedade americana é muito embebida pela mentalidade evangélica, protestante. Eles pensam muito como os protestantes. Infelizmente são estes os livros mais traduzidos, lidos, decorados, aqui no Brasil. Mas existe uma outra corrente teológica na Renovação Carismática que é a Européia, de grandes nomes, infelizmente não muito conhecidos no Brasil, o mais conhecido de todos no Brasil é o Padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, que por acaso é patrólogo. E vocês conheceram o ano passado mais um: Daniel Ange. Se você lê os livros dele, verá que é Padre da Igreja do início ao fim. Ele é embebido em Patrologia. Em espiritualidade da Igreja antiga. E isto é muito conforme ao espírito fundacional da Renovação Carismática, pois a Renovação quer ser um renovar da Igreja através de suas fontes, de suas origens. Só que a Igreja em suas fontes, não era protestante, era católica. Tinha santos Padres, teólogos, autores espirituais importantíssimos. Existem muitos patrólogos famosos que são da Renovação Carismática. Se fôssemos um pouco mais estudiosos teríamos acesso a estes grandes teólogos. É muito mais fácil ler um livrinho aí com versículos bíblicos um atrás do outro. Tá bom! Se vamos na solidez da tradição católica, alcançamos muito mais. A Renovação nasceu nos Estados Unidos mas se solidificou na Igreja Católica por causa do esforço destes teólogos europeus.
Nós não estamos inventando o celibato, já existe uma tradição da Igreja, temos de olhar para os Padres da Igreja, que nos ensinam a viver o celibato! Temos de olhar para uma tradição de 2000 anos. Não para uma tradição de 30 anos. Se não olharmos para a tradição do como se vive o celibato, estamos arriscando a dar com a cabeça na parede o tempo todo! Não podemos inventar o celibato, temos de recebê-lo da tradição.
O celibato está ligado ao amor, está ligado à nossa capacidade de desejar, de desejo. E aí vem o grande problema para nós, geração dos anos 90, a now generation, geração do agora, tudo tem que ser agora. Esta geração precisa ser curada em sua capacidade de desejar. Por que esta é uma lei psicológica: se você faz tudo o que você deseja, você mata a sua capacidade de desejar. Se toda vez que você sente vontade de fazer sexo, você faz, a sua vontade de desejar vai morrendo, então precisamos purificar a nossa capacidade de desejar. Ela está embotada, amarrada, embaçada, não está enxergando as coisas, portanto, não deseja as coisas. É por isso que somos gente deprimida, tão para baixo, jovem que tem tudo para ser energia, para ser vida, é todo desanimado. Existem os momentos de euforia provocados por sexo, drogas, álcool, rock, em que se faz tudo o que se deseja e depois que fez tudo o que deseja, vem aquele longo momento de depressão, fica-se a semana deprimido, esperando o sábado à noite, injeta-se droga, bebe álcool, euforia novamente, depressão novamente… A sua capacidade de desejar vai morrendo. Quando mais sexo você faz, menos você é um homem capaz de desejar, menos será capaz de amar. Aqui é que está a dificuldade que temos de amar. Por isso é necessário a mortificação, renúncia, ascese.
1º – O que é ascese? Vem do grego askeo, quer dizer exercício, exercitar-se. Precisamos renunciar, abster-se. Não podemos dar tudo que nosso corpo quer. Quando vemos na tradição da Igreja que se ensina aos padres, aos seminaristas, que é necessário renúncia, ascese, não estamos falando de coisa do passado, estamos falando de algo que nos ressuscita, que ressuscita a nossa capacidade de amar. Se masturbe trezentas vezes seguidas e veja o que sobrou de sua capacidade de amar. A masturbação mata a nossa capacidade de amar. A pornografia mata a nossa capacidade de amar. E como vamos nos livrar da pornografia, da masturbação e de tudo aquilo que mata a nossa capacidade de amar? Através de uma vida ascética. É necessário começar a negar ao seu corpo o que ele deseja. Se você mora em algum seminário em que o reitor já ensinou você a ser asceta, a fazer jejum, abstinência, levante os braços para o céu e agradeça a Deus, pois a maior parte dos seminaristas nunca ouviu isto. E se por acaso ouviram, ouviram de uma forma que não atrai e que não explica o por que. Ascese é ressurreição. O jejum é ressurreição. É maravilhoso por que ressuscita a minha capacidade de amar.
Os Padres da Igreja nos ensinam. Só existe celibato com ascese – esta é uma verdade de nossos dois mil anos de Igreja. Precisamos reaprender isto por que principalmente nós, da geração do agora, por que tudo que queremos é para agora, tudo deve ser feito, principalmente nós precisamos da ascese. Aqui vem um problema: se você faz ascese hoje é uma coisa. Você precisa adotar um estilo de vida ascético. Você não está querendo ser casto hoje, você está querendo ser celibatário o resto da vida. Como diz Jesus: Se você vai entrar na batalha, calcula o teu exército. Você vai enfrentar uma batalha e o cara que vem tem 20.000 homens, então, trate de arranjar o teu exército. Esta história não dá certo se você não tiver um estilo de vida ascética. A teologia da libertação anda dizendo por aí o seguinte: o padre tem que ser como o povo, fazer o que o povo faz, andar onde o povo anda, chinelo de dedo – festa, chopp, noitadas, dança. Se você for igual ao povo você vai terminar igual ao povo.
O povo não é celibatário meu irmão! Você tem que, como padre, viver uma vida de padre. E não estou dizendo isto por que quero clericalizar o padre, estou dizendo que é preciso viver como padre e a sua vida deve ser diferente da vida do povo, por que fazendo tudo o que todo mundo faz e ainda querer ser celibatário é patético. Isto não existe, é contraditório. Você deve ser um asceta. Uma grande crítica que nossos irmãos do oriente nos fazem – o patriarca Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla disse: Uma das reclamações que o Oriente Cristão tem para com o Ocidente Cristão é a seguinte: os celibatários no Oriente tem que viver um tipo de vida ascética que não é exatamente de um monge como se entende no ocidente, mas que chamamos de ascese monástica, por que se o padre se propôs a ser celibatários, não pode viver como todos os demais. Se queremos viver o carisma do celibato, temos de agir, e este agir é uma vida ascética. Portanto, não é de admirar que no Brasil se veja tantos padres que já não vivem mais o celibato, ou vivem cambaleando.
E aí, vemos estes fenômenos maravilhosos: o fulano depois de 8 meses de ordenado, já está apaixonado, se junta e deixa o ministério. Tudo isto vem desta ideologia perversa: O padre tem que ser igual ao povo! Transformaram o que diz a Carta aos Hebreus, o sacerdote é retirado do meio do povo, em o padre tem que ser igual ao povo! O padre não pode ser igual, tem que viver uma vida ascética. Jejum é para nós, é para todo mundo, mas especialmente para nós. Abstinência de carne é especialmente para nós. Controle da nossa visão. Os seminaristas de Cuiabá sabem como eu sou claro: televisão não é coisa para nós! Lá só assistimos o jornal. E isto infelizmente, por que, se eu tivesse acesso ao coração dos outros, seria diferente. Não vou impor nada aos seminaristas, mas se pudesse, cortaria esta bobagem de filme – ah, o filme da semana, vamos lá, é cultura! Você vai lá, começa com cultura e termina na cama e aquelas imagens ficam gravadas para o resto da vida em sua cabeça. É tudo muito cultural! Não podemos ficar por fora não! Televisão não é para nós. É claro que existem filmes bons! É preciso saber escolhê-los! Não podemos ficar olhando qualquer coisa, assistindo qualquer coisa! Isto não é um cavalo de batalha! Ah isto é bobagem, ideologia do Padre Jonas, da Canção Nova! Nós de forma especial, não podemos! Ah mas a menina não aparece nua! É pior do que nua, por que a imaginação voa!
Precisamos viver uma vida ascética, ela nos ressuscita. Tudo aquilo que é cruz traz ressurreição. Isto é muito prático. Não é coisa de padre celibatário ficar por aí em festa, altas horas da noite, em ambientes onde a coisa é explicitamente lasciva. Você não está fazendo sexo com ninguém, mas fica a cervejinha rodando, aquela conversinha besta, a menininha lá na tua frente. Se você não vai comer não manuseie o cardápio. Precisamos ter uma vida reservada, não por que somos melhores do que os outros, mas por que estamos nos propondo uma vida diferente da dos outros. Precisamos de ascese. Não tenham medo de vigília, de fazer penitência, de acordar de madrugada, de fazer caminhada, não tenham medo de deixar de comer doces, não tenham medo de fazer todo tipo de ascese que pensarem, imaginarem e que não prejudique a saúde de vocês. Mas cuidado, pois isto também pode ser uma mentira do demônio – ah, se você fizer isto, vai prejudicar sua saúde! Eu, desde a quaresma do ano passado, decidi que não quero mais comer carne! Estou aqui inteiro e vivo, e ainda engordei cinco quilos. É claro que não devemos exagerar. Precisamos limpar a nossa capacidade de desejar. Agora, limpada a nossa capacidade de desejar, temos que começar a desejar as coisas certas.
2º – Quem o padre diocesano deve amar?
O padre diocesano tem uma realidade muito concreta que é o tripé do seu celibato:
1) O amor a Deus através da vida de oração – a oração é como uma hemodiálise, precisamos rezar, uma oração onde muito mais que falar, precisamos ouvir a palavra de Deus – Lectio Divina; a Igreja coloca em nossas mãos um instrumento abençoado chamado Liturgia das Horas – a oração, quando é distribuída durante o dia, em horários precisos, tem o seu papel a cumprir; o padre tem que realmente amar a Deus naquilo que ele faz e a desgraça das desgraças é que os padres, quando celebram os sacramentos esquecem que eles tem que rezar; quando o padre vira um leitor de missal, tudo está acabado; quando celebramos os sacramentos, este ato é oração para nós também, portanto, que seja bem celebrado, externando o amor a Deus;
2) A caridade pastoral, o amor ao povo de Deus. É preciso amar o que fazemos, amar as pessoas, apiedar-se do povo, ter compaixão do povo, amar o povo. Que coisa horrorosa, onde é que arranjaram tanto padre mal humorado para maltratar o povo? Precisamos amar as pessoas que nós atendemos, com o coração de Cristo. Por que não são capazes de amar? Por que sua capacidade de amar está embotada. Não fazem ascese, não rezam, então a capacidade de amar desaparece. É verdade que todo o amor é também crucifixão. Você precisa, porém, sacrificar-se pelo povo. Saber dar a sua dose de sacrifício pelo povo: amá-los, dar atenção, carinho. Saiba dizer um não com um sorriso nos lábios. Saiba dizer um não com atenção, explicando as razões e não um não com um chute no traseiro. Depois nos admiramos quando as Igrejas evangélicas ficam lotadas. Os que mais falam do povo, são os que menos amam o povo.
E ainda por cima, enfatizamos muito o dízimo. Por que as pessoas não pagam o dízimo? Por que as pessoas só dão dinheiro quando vêem serviço. Se o padre não as serve, as pessoas não pagam. Esta é uma lei básica do consumidor. Muitos reclamam: o povo não paga o dízimo, mas vive mandando dinheiro para a Canção Nova! Por que? Por que eles ligam a televisão e se sentem servidos. Eles recebem alguma coisa. Ir à Igreja para ver um padre mal humorado que só sabe reclamar da vida e ainda pagar o dízimo? Pode esquecer! Amar o povo, pois esta é a nossa salvação! A salvação do pastor é ser pastor, é amar as ovelhas! Nos santificamos no amor pastoral.
3) A fraternidade presbiteral. Por que é que os padres não se sentem irmãos? Isto faz parte do ser do sacerdote. Eu não sei em que período da história da Igreja o diabo inventou a mentira maldita de que padre diocesano não pode viver em comunidade. Esta é uma mentira maldita! Esta história de clero diocesano morando sozinho é sinônimo de perigo para a nossa conversão e para o nosso celibato. Admiro profundamente os padres que vivem isto e vivem de modo equilibrado mas, nós não podemos exigir este heroísmo e esta capacidade de todos. Mas, voltando a pergunta: Por que é que os padres não se sentem irmãos? Ninguém é irmão, ninguém se sente irmão se não tem pai. A gente só se sente irmão quando tem um pai comum. Se você tem um pai que congrega os irmãos, você se sente irmão. Nas famílias em que morre o pai e a mãe, os irmãos se dispersam. Vejo em minha casa, vou sempre lá nos finais de semana, mas nunca vou na casa das minhas irmãs. Nós sempre nos reunimos como irmãos ao redor dos pais. Agora, os bispos têm complexo de autoridade e não querem ser pais. Não querem amar os seus padres.
Os bispos precisam amar os seus padres: amar dizendo não, amar dizendo sim. Amar consolando, amar corrigindo. Ser pai de verdade. A orfandade começou dentro da Igreja para os padres quando se começou a reunir padres sem um pai. Os religiosos funcionam se souberem se inserir, enquanto padres, na diocese, e ter o bispo como pai. Eles não tem, enquanto religiosos, um pai próprio, o pai deles é o bispo diocesano. O que eles tem é o irmão de turno que é eleito para assumir a função de direção – o provincial. Pai não se elege, pai a gente recebe. Nós precisamos ser irmãos ao redor de um pai e nos amar como irmãos. Portanto, saber provocar reuniões, pontos de encontro, em que gastemos o tempo com os nossos irmãos padres. Amamos quando gastamos tempo com a pessoa. Esta realidade não começa no clero, começa no seminário. Começa nessa fábrica de gente individualista chamada seminário. Por isso digo a vocês: comecem no seminário. No reitor vocês tem um pai, que vocês receberam, não escolheram.
Aprendam a amá-lo. Ah mas o meu reitor é seco como farinha! Meu irmão, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Cative o seu reitor, mas não você individualmente para ser puxa-saco dele. Junte o seu grupo do seminário e juntos queiram bem o reitor como pessoa. Ele é gente, precisa de amor, precisa de carinho. A carapaça toda da autoridade é por que vê no seminarista alguém que vai solapar, questionar a autoridade dele. O amor é capaz de remover montanhas. O amor é capaz de transformar os corações mais insensíveis quando a pessoa se sente amada. Quando forem padre, amem o bispo de vocês, gastem tempo amando o bispo de vocês. Se ele não se sente pai é por que ninguém se sente filho dele. Se você for com a atitude filial e se sentir filho e se demonstrar filho, ele começa a se sentir pai. Não fique esperando ser amado. Ame!
Estes são os três pontos para o nosso celibato: amor a Deus, amor pastoral e amor no presbitério (não existe presbitério sem bispo, portanto, amor aos padres e ao bispo). São os três lugares privilegiados nos quais precisamos amar.
Autor: Pe. Paulo Ricardo.
Fonte: http://padrepauloricardo.org/articles/celibato/
Aquilo que Deus pede de nós se torna uma língua estrangeira se estamos embriagados.
Por que tomei este versículo? Por que é justamente este o problema do celibato na Igreja. Muitos falam de crise de vocações e dizem: a falta de vocações é um problema, por que a Igreja de Roma, o bispo de Roma, que é um usurpador dos direitos das dioceses, das Igrejas Particulares, ele quer impor a todos o celibato. Existem alguns padres no Brasil, e não estou dizendo uma teoria, estou denunciando uma realidade da Igreja do Brasil – que dizem assim: Se o Papa quer o celibato, que ele viva! Nós não queremos! Queremos a liberdade do celibato, e já que o Papa não libera o celibato, nós vamos liberar na prática. O Papa é um velho de 80 anos, mas nós somos jovens, queremos viver o amor livre. Isto já é um movimento dentro da Igreja do Brasil. Não pensem bondosamente que esta mentalidade é uma luta pelo padre casado. O casamento supõe castidade cristã, supõe fidelidade, e isto também é complicado. Achamos que castidade é difícil só para quem é celibatário. Não, castidade é desafio para todos, também para quem é casado. Muitos jovens me dizem: Não sei como você agüenta o celibato, e eu respondo: Não sei como você agüenta a castidade no casamento, pois ela é dura e difícil. Existe um movimento ideológico, sem nome, sem partido, sem registro no cartório, mas está aí este movimento que quer acabar com o celibato na prática. E digo isto sem medo de errar, e para abrir os olhos de muitos de vocês. Esta realidade é a fumaça do demônio dentro da Igreja Católica do Brasil. E então se diz: Faltam padres por causa do celibato, por causa desta cruz pesada que o Bispo de Roma impõe aos padres do ocidente.
O que falta não são vocações, o que falta é fé. A crise na Igreja Católica, de modo especialíssimo, a crise da Igreja Católica no Brasil, é uma crise de fé. As pessoas não acreditam mais. Por que crise de fé? Preciso dizer bem claro: por que o celibato é um carisma e fica muito difícil entender um carisma se não tenho fé. Por exemplo, é difícil acreditar que o dom de línguas é um dom de Deus se você não tem fé. Torna-se um negócio ridículo pura e simplesmente. Se Deus não age, se não é ação de Deus, como é que algo vai ser carisma, como é que vamos acreditar no dom de cura, nos milagres, no dom de profecia, no dom de palavra de Sabedoria. Como vamos acreditar em um carisma se não temos fé? A mesma coisa acontece com o celibato. O que falta é a fé!
É na falta de fé que está a raiz do problema. Que falta de fé é esta? Fé em quê? Fé em acreditar que a proposta do Evangelho é caminho de felicidade!
Bismarck, famoso ditador da Alemanha, dizia que uma mentira dita um milhão de vezes, torna-se verdade. É assim na cabeça do povo, especialmente do povo brasileiro. A mentira dita um milhão de vezes é a seguinte: Ninguém é feliz sem sexo! Portanto, o sexo tornou-se um valor absoluto, ele traz a felicidade, em si mesmo! Em palavras mais claras: o sexo tornou-se Deus. Pois, uma coisa que em si mesma traz a felicidade é Deus, não é? Na realidade, muitos têm um outro Deus, um Deus que não é Deus – o Deus do sexo. É necessário que voltemos à fé do evangelho, que acreditemos realmente naquilo que o Senhor nos propõe – a castidade cristã, o celibato.
Como vamos chegar a isto? Apontamos até agora o problema, precisamos então resolvê-lo. Este problema precisa ser resolvido primeiro dentro da gente, para que possamos também pregar isto. Um padre que não acredita na felicidade do seu celibato, será um padre que não empolga ninguém. Ninguém se empolgará com um padre cabisbaixo, entristecido – Infelizmente não tenho mulher, fazer o quê!. Onde é que está a felicidade, a beleza do celibato?
Num primeiro momento, precisamos ver a beleza da sexualidade humana. O nosso tempo perdeu a noção de beleza da sexualidade. Não temos mais noção da beleza, pois o belo é algo gratuito, é inútil. Nós, por outro lado, estamos em uma sociedade onde o que vale é o que é útil, então, claro, o que é belo não tem utilidade. Fizemos uma reforma no seminário de Cuiabá, construímos uma capela bonita. Quantos padres entraram lá e disseram: Pra quê você gastou tudo isso? Por que realmente é inútil, o belo é inútil, e por isso, está desaparecendo! Ninguém se preocupa com o belo.
Se há alguma preocupação, é pelo seu próprio belo, numa visão narcisita – Eu preciso ser bonito. Produzir a mim mesmo.
Existe uma beleza em ser como Jesus e ser e sonhar como Jesus é. Existe uma beleza na sexualidade que Deus nos deu. Se queremos a beleza de ser como Jesus, precisamos entender primeiro a beleza da sexualidade humana. A sexualidade humana é uma obra de arte, uma maravilha.
E este é o primeiro passo que precisamos dar como celibatários ou futuro celibatários:
1º – Eu preciso arrancar o sexo das mãos do demônio e colocá-lo nas mãos de Deus
Pois, de tanto ver o sexo negativamente, muitas vezes, vemos o sexo como coisa do demônio. É como se Deus tivesse criado o homem assexuado e o demônio foi e criou o sexo. Mas o sexo é criação de Deus, portanto, é uma beleza. Como padres celibatários, precisamos saber cantar a beleza da sexualidade humana: o sexo é bonito, é maravilhoso, é um presente de Deus. Que, infelizmente, como tudo o que faz o demônio invejoso, ele pega o que é de Deus e perverte. O sexo foi feito para ser vivido no amor de total doação de um homem por uma mulher e de uma mulher por um homem, para que os dois dêem origem à vida. Meu próprio corpo fala isso. O corpo humano é um sacramento que me indica. O sexo fala de mim, da minha pessoa. O sexo fala de onde eu venho e para onde eu vou. De onde eu venho? De uma doação mútua de um homem e de uma mulher. Eu mesmo sou um presente. Um presente que foi me dado por Deus. Que eu mesmo recebo, eu me recebo como presente de Deus. A sexualidade humana me fala deste dom gratuito, aleatório, parece louco, caótico, mas não é um mero acaso, é a vontade divina. A união de um homem e de uma mulher me fez puro dom e presente de Deus. O sexo fala da minha origem: eu não me mereci, não me planejei, nem meus pais me planejaram, eles nos receberam. O meu corpo não só fala da minha origem mas fala para onde vou? Qual é o meu destino. Meu corpo fala-me que nasci para amar. É aqui que vem outra verdade importante: é necessário que saibamos que fomos feitos para ter uma relação sexual com uma mulher. Parece bobagem dizer isto, mas muitos não se dão conta disso. Muitos pensam que celibato é solteirice, ou seja, sou solteiro para o resto da vida. Mas o celibatário não é um solteiro. Um solteiro é alguém que aguarda o encontro da pessoa para a qual ele vai se doar, no amor do matrimônio. O celibatário é outra coisa.
É importante que saibamos que cada célula de nosso corpo, tudo aquilo que somos, o nosso corpo nos diz que fomos feitos para nos entregarmos a uma mulher. Só este pequeno capítulo aqui é uma cura interior, que deve ser muito bem trabalhado, em oração de cura interior, para aqueles que, possivelmente, não aqui, na lua, para aqueles que tenham alguma tendência homossexual, mas não aqui, na lua – aqui não tem ninguém. O fato de termos nascido para nos entregar a uma mulher é uma verdade de Deus, esta é a verdade a meu respeito. Não existe esta mentira de que é questão de opção sexual – Ah não, eu opto! Como posso escolher entre o sorvete de morango ou de chocolate, eu opto entre ter sexo com um homem ou uma mulher! Esta é uma mentira que qualquer manual de biologia da oitava série pode desmentir. Por que você estuda aparelho reprodutor em um capítulo e aquilo significa reprodução. E não adianta fazer raciocínios mil – a verdade de Deus é esta! É a verdade escrita por Deus em nosso corpo. O meu corpo fala de mim. Se Deus quer de mim o celibato, aqui se supõe um carisma, uma graça. É por isso que ninguém acredita no celibato. Por que? Por que se não houver intervenção de Deus, não tem sentido. E agora eu pergunto: esta sociedade que está aí fora e até mesmo muitos padres, acreditam que Deus age em nossas vidas? Estou convidando vocês para que entrem em uma visão de mundo diferente. Apaga da sua cabeça o que você recebeu de errado de uma sociedade pagã e ponha agora a verdade cristã em sua cabeça e em seu coração. A verdade cristã é a seguinte: Deus age, Deus está presente em nossa história, Deus intervém, não necessariamente milagrosamente, mas intervém sobrenaturalmente sempre. Tomamos café da manhã, agradecemos a Deus pela comida, mas, não aconteceu nenhum milagre. Deus não proviu miraculosamente o alimento.
Nesta realidade perfeitamente natural, você enxerga uma intervenção divina, por que você tem fé. Quem não tem fé, come de qualquer jeito. É maravilhoso enxergar a ação de Deus nas coisas mais corriqueiras e banais. Temos que agradecer a Deus por tudo aquilo que nos dá e também por aquilo que ele nos nega. Quando diz não é por que ama você. Agradeça a Deus também por aquilo que ele nunca te deu. Temos que entrar em uma outra visão do mundo, ver Deus que está ao nosso lado Emanuel – Deus conosco – este é o mistério que celebramos no Natal. Deus está conosco, caminha junto conosco. Não é o grande arquiteto que criou o mundo e largou-o. Se você existe agora, é porque Deus está sustentando você no ser. Se ele tira a mão, você cai no nada. O próprio fato de você existir é plena atestação e testemunho da fidelidade de Deus. Não somos seres autônomos, somos seres recebidos. Deus sustenta o mundo no ser. E isto é importantíssimo em nossa espiritualidade – ele intervém em cada momento, em cada segundo para que você exista. É intervenção divina. Aquilo que nós chamamos de lei da natureza na teologia chamamos de fidelidade de Deus. Lei da natureza: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Lei da teologia: uma vez criado, Deus não volta atrás, ele não se arrepende, pois ele é fiel. O celibato é intervenção divina. Por isso, é muito claro e evidente que em uma sociedade e em uma Igreja em crise, onde as pessoas já não acreditam mais, é óbvio que o celibato não faz sentido. Claro, eles olham a natureza das coisas, o homem foi feito para a mulher e vice-versa, e pronto. E ficam nessa realidade, na realidade puramente física, não olhando na realidade da intervenção de Deus. O trecho de Isaías que eu citava no início, expressa a realidade de muitos padres que na hora da visão, têm as vistas cansadas, não enxergam as coisas como Deus as enxerga e como a Igreja nos ensina. Por isso o primeiro passo deve ser um ato de fé.
2º – O celibato é um carisma, intervenção de Deus.
Então, o celibatário não é alguém que abomina o sexo, mas alguém que ao celebrar o sexo e perceber que o sexo é algo tão maravilhoso e tão bonito, é capaz de entregá-lo para Deus. Entregar a sexualidade bela para Deus. E como vamos entregar? Isto é carisma, é dom de Deus. Pois é ele que nos dá a capacidade de amar. Se existe alguém que ama na face da terra é por que o Espírito Santo nos deu este presente.
3º – Eu sou um dom recebido, feito para ser doado.
Isto quer dizer que somos filhos. O filho é aquele que se recebe. Eu não me fiz. Não sou um cogumelo que brota na grama sem pai nem mãe. Me recebi como dom e como presente. Desta verdade tenho a lei fundamental de capacitação para a castidade cristã e para o celibato. A lei fundamental é a seguinte: só é celibatário quem sabe que é amado e sabe que é capaz de amar. Temos então dois grandes entraves, dois grandes problemas em nossos seminários – muitas vezes por um ou por outro problema, ou pelos dois problemas, o seminarista não é capaz de amar, não é celibatário. O seminarista não se ama, não enxerga que recebeu amor e então, não é capaz de amar. O que é o amor? É a doação de si! Ou seja, eu sei que alguém se entregou por mim, eu sei que alguém me amou, sei que sou amado. Dizer que somos amados significa que alguém se entregou por mim, alguém se destruiu para que eu fosse. Alguém entregou algo de si ou todo o seu ser para que eu fosse. E a grande verdade é esta: nós somos amados primeiramente, especialmente, por Deus! Deus se entregou por mim, portanto, se não há esta verdade em minha vida, eu não serei celibatário. Um padre frustrado, que não se sente amado, pode ser casto como um anjo, mas isto não é verdadeira castidade. Pode ser puro, sem sexo, mas não é celibatário. A cadeira na qual vocês estão sentados, também é pura e sem sexo, mas não é celibatária. Por que? Por que ela não sabe que é amada! O celibato é uma realidade de amor: Eu sou amado e por isso também amo! Que coisa extraordinária que eu exista! Que coisa extraordinária que Deus tenha me escolhido, que eu tenha nascido! E quanto menos dotado, bonito, inteligente você for, mais está clara a predileção de Deus!
Um testemunho: eu antigamente, me odiava, não gostava de mim mesmo! Desde os 12 anos de idade, pus na cabeça que queria ser padre. Já pensava isto antes, mas só aos doze anos as coisas se definiram. A coisa para mim estava certa. Tive mudanças quanto a conversão, o que é diferente. Vocação não significa necessariamente conversão. Tem muito padre que necessita de conversão. Eu não gostava de mim mesmo! Sempre fui assim: 1,84, magro, como sou hoje! Imagine só: com quinze anos de idade já tinha esta altura! Era muito magro, mais magro do que sou hoje! Quando fui para Roma, engordei quase 20 quilos. Imagine como eu era magro! Pois bem, eu andava sempre de social, camisa de manga comprida, alguém me perguntava: por que você anda assim? Eu vou ser padre!
Então eu já era padrequinho desde os 12 anos de idade. Desculpava-me dizendo: pudor eclesiástico, compostura eclesiástica. Que nada, eu tinha era vergonha do meu corpo. Usava manga comprida por que achava meu braço horroroso, magrelo. Depois veio a adolescência, começou a ficar cabeludo, parecia que eu era o elo perdido entre o homem e o macaco. Um palito seco e cabeludo – que coisa linda! Na casa de meus pais tinha piscina, mas era preciso pagar um alto salário para eu entrar na piscina: Eu não entro na piscina, vou ser padre! Que nada, eu tinha era vergonha de tirar a camisa. Tinha vergonha de aparecer sem camisa. Depois começou o cabelo a cair, esta testa avantajada, sinal de grande inteligência. Fui dotado também de orelhas discretas, dentes charmosos, além de ter este tórax imenso, de nadador da seleção brasileira. Era uma tragédia. Eu definitivamente não me amava. Então, o que é que eu fiz: mergulhei nos estudos. Pelos menos no que dizia respeito a roupa bonita e notas, ninguém poderia dizer que eu era feio. Tinha nota boa, era elegante. Tudo bem! Eu me amava assim! Até que finalmente, Deus é Deus, e ele foi mostrando o seu amor por mim. O que me levou a ver o amor de Deus: um pensamento muito simples. Gostava muito de matemática, e comecei a calcular a probabilidade de nascer um outro filho de meu pai e de minha mãe que fosse muito mais bonito do que eu. E esta probabilidade não era muito distante. Minhas irmãs são as duas muito bonitas, de feioso na família só saí eu.
Quem as conhece, logo pergunta – São suas irmãs? Olha para mim, olha para elas e diz: Não acredito! Eu pensei – quantos homens mais bonitos do que eu poderiam ter nascido do meu pai e de minha mãe. Chutando por baixo, 1 bilhão! Pois bem, imagine um exército imenso, os mais bonitos na frente, Deus se reúne e escolhe a mim. E Deus diz: O feioso e orelhudo ali no fundo! Quem, eu? É você! Você que irá nascer! Os outros mais bonitos, hábeis, inteligentes, não irão nascer, pois foi a mim que ele amou, ele me quis. E foi isto que me salvou! Hoje tiro a camisa, faço festa, e não há problemas! Não tenho mais complexo com relação ao meu corpo. Podemos pensar outras dez mil coisas, mas é importantíssimo que você saiba que Deus amou você se quer realmente ser celibatário. Se receba como presente – Ele me quis!
Como é que eu sei que posso amar? Aqui, temos o dom, a graça, o privilégio do Espírito Santo. É um dom infinito de Deus quando um homem aprende a amar. Só as pessoas humanas amam. Amar quer dizer renunciar para que o outro seja feliz! E existe aqui o fundamento da nossa liberdade: “O homem é livre na medida em que não depende de nada, e de ninguém, mas apenas daquilo que ama!” (Amedeo Cencini).
A conseqüência lógica é ao contrário: O homem é escravo quando depende daquilo que não pode e não deve amar! Ou porque aquilo não é digno de ser amado, ou porque a sua identidade não está ali. Eu nasci para amar alguém. E quando começo a amar coisas que eu não deveria amar, perco a minha liberdade, a minha identidade. Esta definição de liberdade é de uma verdade psicológica, teológica, filosófica, espiritual, que merece o prêmio Nobel de filosofia, se existisse. Se você é livre é porque você não depende de nada, nem de ninguém, a não ser daquilo que você ama. Eu amo a Deus. Se você ama a Deus, ou você está aprendendo amar Deus, ou você deseja amar Deus, pois bem, dependa só dele, não dependa de mais nada. Seja livre! É neste ponto que se revela diante de nossos olhos a maravilha do celibato.
O celibato não é uma lei, como diz Isaías: lei mais lei. O celibato não é questão de lei, é liberdade. É a liberdade que a Igreja concede aos padres. Liberdade maravilhosa, de só depender daquele que eu amo, e de mais ninguém. Se você nasceu para amar uma mulher e para se entregar a ela, por que esta é a vocação de Deus, e este é o carisma do matrimônio, que Deus te dá, então você casa, se entrega àquela mulher, e fazendo isto você está também amando a Deus, pois está obedecendo a ele. Mas nós padres somos chamados a ser livres totalmente, e isto quer dizer amar somente a Deus e ser livre com relação a tudo o mais. É o espaço da liberdade que se abre diante de nossos olhos. Porém, temos que lembrar que este celibato é humano. Você é capaz de amar. Vemos que somos capazes de amar por que isto nos atrai, por que vemos esta capacidade dentro da gente. Que maravilha poder amar, poder me doar, me derramar de amor! Este é um dom extraordinário de Deus.
Precisamos agora, depois de ter colocado fundamentos teológicos e psicológicos para o celibato, passar para a parte prática. É preciso que tudo isto se transforme em vida.
Não existe muita mágica, mas existe vida! Não é mágica ser celibatário. Existe uma realidade importante: nós não inventamos o celibato. Você não precisa experimentar tudo para o celibato dar certo. Existe uma tradição bonita e antiga dentro da Igreja que nos ensina a ser celibatários. Uma das coisas maravilhosas do Concílio Vaticano II e da Renovação Carismática é o retornar às fontes, às origens, nos padres da Igreja. Nada é mais em sintonia com a Renovação Carismática do que cultivar uma espiritualidade dos Padres da Igreja.
Uma dica: a Renovação Carismática tem no mundo duas correntes teológicas: a corrente americana, que é a original, e que a meu ver não é a melhor. A sociedade americana é muito embebida pela mentalidade evangélica, protestante. Eles pensam muito como os protestantes. Infelizmente são estes os livros mais traduzidos, lidos, decorados, aqui no Brasil. Mas existe uma outra corrente teológica na Renovação Carismática que é a Européia, de grandes nomes, infelizmente não muito conhecidos no Brasil, o mais conhecido de todos no Brasil é o Padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, que por acaso é patrólogo. E vocês conheceram o ano passado mais um: Daniel Ange. Se você lê os livros dele, verá que é Padre da Igreja do início ao fim. Ele é embebido em Patrologia. Em espiritualidade da Igreja antiga. E isto é muito conforme ao espírito fundacional da Renovação Carismática, pois a Renovação quer ser um renovar da Igreja através de suas fontes, de suas origens. Só que a Igreja em suas fontes, não era protestante, era católica. Tinha santos Padres, teólogos, autores espirituais importantíssimos. Existem muitos patrólogos famosos que são da Renovação Carismática. Se fôssemos um pouco mais estudiosos teríamos acesso a estes grandes teólogos. É muito mais fácil ler um livrinho aí com versículos bíblicos um atrás do outro. Tá bom! Se vamos na solidez da tradição católica, alcançamos muito mais. A Renovação nasceu nos Estados Unidos mas se solidificou na Igreja Católica por causa do esforço destes teólogos europeus.
Nós não estamos inventando o celibato, já existe uma tradição da Igreja, temos de olhar para os Padres da Igreja, que nos ensinam a viver o celibato! Temos de olhar para uma tradição de 2000 anos. Não para uma tradição de 30 anos. Se não olharmos para a tradição do como se vive o celibato, estamos arriscando a dar com a cabeça na parede o tempo todo! Não podemos inventar o celibato, temos de recebê-lo da tradição.
O celibato está ligado ao amor, está ligado à nossa capacidade de desejar, de desejo. E aí vem o grande problema para nós, geração dos anos 90, a now generation, geração do agora, tudo tem que ser agora. Esta geração precisa ser curada em sua capacidade de desejar. Por que esta é uma lei psicológica: se você faz tudo o que você deseja, você mata a sua capacidade de desejar. Se toda vez que você sente vontade de fazer sexo, você faz, a sua vontade de desejar vai morrendo, então precisamos purificar a nossa capacidade de desejar. Ela está embotada, amarrada, embaçada, não está enxergando as coisas, portanto, não deseja as coisas. É por isso que somos gente deprimida, tão para baixo, jovem que tem tudo para ser energia, para ser vida, é todo desanimado. Existem os momentos de euforia provocados por sexo, drogas, álcool, rock, em que se faz tudo o que se deseja e depois que fez tudo o que deseja, vem aquele longo momento de depressão, fica-se a semana deprimido, esperando o sábado à noite, injeta-se droga, bebe álcool, euforia novamente, depressão novamente… A sua capacidade de desejar vai morrendo. Quando mais sexo você faz, menos você é um homem capaz de desejar, menos será capaz de amar. Aqui é que está a dificuldade que temos de amar. Por isso é necessário a mortificação, renúncia, ascese.
1º – O que é ascese? Vem do grego askeo, quer dizer exercício, exercitar-se. Precisamos renunciar, abster-se. Não podemos dar tudo que nosso corpo quer. Quando vemos na tradição da Igreja que se ensina aos padres, aos seminaristas, que é necessário renúncia, ascese, não estamos falando de coisa do passado, estamos falando de algo que nos ressuscita, que ressuscita a nossa capacidade de amar. Se masturbe trezentas vezes seguidas e veja o que sobrou de sua capacidade de amar. A masturbação mata a nossa capacidade de amar. A pornografia mata a nossa capacidade de amar. E como vamos nos livrar da pornografia, da masturbação e de tudo aquilo que mata a nossa capacidade de amar? Através de uma vida ascética. É necessário começar a negar ao seu corpo o que ele deseja. Se você mora em algum seminário em que o reitor já ensinou você a ser asceta, a fazer jejum, abstinência, levante os braços para o céu e agradeça a Deus, pois a maior parte dos seminaristas nunca ouviu isto. E se por acaso ouviram, ouviram de uma forma que não atrai e que não explica o por que. Ascese é ressurreição. O jejum é ressurreição. É maravilhoso por que ressuscita a minha capacidade de amar.
Os Padres da Igreja nos ensinam. Só existe celibato com ascese – esta é uma verdade de nossos dois mil anos de Igreja. Precisamos reaprender isto por que principalmente nós, da geração do agora, por que tudo que queremos é para agora, tudo deve ser feito, principalmente nós precisamos da ascese. Aqui vem um problema: se você faz ascese hoje é uma coisa. Você precisa adotar um estilo de vida ascético. Você não está querendo ser casto hoje, você está querendo ser celibatário o resto da vida. Como diz Jesus: Se você vai entrar na batalha, calcula o teu exército. Você vai enfrentar uma batalha e o cara que vem tem 20.000 homens, então, trate de arranjar o teu exército. Esta história não dá certo se você não tiver um estilo de vida ascética. A teologia da libertação anda dizendo por aí o seguinte: o padre tem que ser como o povo, fazer o que o povo faz, andar onde o povo anda, chinelo de dedo – festa, chopp, noitadas, dança. Se você for igual ao povo você vai terminar igual ao povo.
O povo não é celibatário meu irmão! Você tem que, como padre, viver uma vida de padre. E não estou dizendo isto por que quero clericalizar o padre, estou dizendo que é preciso viver como padre e a sua vida deve ser diferente da vida do povo, por que fazendo tudo o que todo mundo faz e ainda querer ser celibatário é patético. Isto não existe, é contraditório. Você deve ser um asceta. Uma grande crítica que nossos irmãos do oriente nos fazem – o patriarca Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla disse: Uma das reclamações que o Oriente Cristão tem para com o Ocidente Cristão é a seguinte: os celibatários no Oriente tem que viver um tipo de vida ascética que não é exatamente de um monge como se entende no ocidente, mas que chamamos de ascese monástica, por que se o padre se propôs a ser celibatários, não pode viver como todos os demais. Se queremos viver o carisma do celibato, temos de agir, e este agir é uma vida ascética. Portanto, não é de admirar que no Brasil se veja tantos padres que já não vivem mais o celibato, ou vivem cambaleando.
E aí, vemos estes fenômenos maravilhosos: o fulano depois de 8 meses de ordenado, já está apaixonado, se junta e deixa o ministério. Tudo isto vem desta ideologia perversa: O padre tem que ser igual ao povo! Transformaram o que diz a Carta aos Hebreus, o sacerdote é retirado do meio do povo, em o padre tem que ser igual ao povo! O padre não pode ser igual, tem que viver uma vida ascética. Jejum é para nós, é para todo mundo, mas especialmente para nós. Abstinência de carne é especialmente para nós. Controle da nossa visão. Os seminaristas de Cuiabá sabem como eu sou claro: televisão não é coisa para nós! Lá só assistimos o jornal. E isto infelizmente, por que, se eu tivesse acesso ao coração dos outros, seria diferente. Não vou impor nada aos seminaristas, mas se pudesse, cortaria esta bobagem de filme – ah, o filme da semana, vamos lá, é cultura! Você vai lá, começa com cultura e termina na cama e aquelas imagens ficam gravadas para o resto da vida em sua cabeça. É tudo muito cultural! Não podemos ficar por fora não! Televisão não é para nós. É claro que existem filmes bons! É preciso saber escolhê-los! Não podemos ficar olhando qualquer coisa, assistindo qualquer coisa! Isto não é um cavalo de batalha! Ah isto é bobagem, ideologia do Padre Jonas, da Canção Nova! Nós de forma especial, não podemos! Ah mas a menina não aparece nua! É pior do que nua, por que a imaginação voa!
Precisamos viver uma vida ascética, ela nos ressuscita. Tudo aquilo que é cruz traz ressurreição. Isto é muito prático. Não é coisa de padre celibatário ficar por aí em festa, altas horas da noite, em ambientes onde a coisa é explicitamente lasciva. Você não está fazendo sexo com ninguém, mas fica a cervejinha rodando, aquela conversinha besta, a menininha lá na tua frente. Se você não vai comer não manuseie o cardápio. Precisamos ter uma vida reservada, não por que somos melhores do que os outros, mas por que estamos nos propondo uma vida diferente da dos outros. Precisamos de ascese. Não tenham medo de vigília, de fazer penitência, de acordar de madrugada, de fazer caminhada, não tenham medo de deixar de comer doces, não tenham medo de fazer todo tipo de ascese que pensarem, imaginarem e que não prejudique a saúde de vocês. Mas cuidado, pois isto também pode ser uma mentira do demônio – ah, se você fizer isto, vai prejudicar sua saúde! Eu, desde a quaresma do ano passado, decidi que não quero mais comer carne! Estou aqui inteiro e vivo, e ainda engordei cinco quilos. É claro que não devemos exagerar. Precisamos limpar a nossa capacidade de desejar. Agora, limpada a nossa capacidade de desejar, temos que começar a desejar as coisas certas.
2º – Quem o padre diocesano deve amar?
O padre diocesano tem uma realidade muito concreta que é o tripé do seu celibato:
1) O amor a Deus através da vida de oração – a oração é como uma hemodiálise, precisamos rezar, uma oração onde muito mais que falar, precisamos ouvir a palavra de Deus – Lectio Divina; a Igreja coloca em nossas mãos um instrumento abençoado chamado Liturgia das Horas – a oração, quando é distribuída durante o dia, em horários precisos, tem o seu papel a cumprir; o padre tem que realmente amar a Deus naquilo que ele faz e a desgraça das desgraças é que os padres, quando celebram os sacramentos esquecem que eles tem que rezar; quando o padre vira um leitor de missal, tudo está acabado; quando celebramos os sacramentos, este ato é oração para nós também, portanto, que seja bem celebrado, externando o amor a Deus;
2) A caridade pastoral, o amor ao povo de Deus. É preciso amar o que fazemos, amar as pessoas, apiedar-se do povo, ter compaixão do povo, amar o povo. Que coisa horrorosa, onde é que arranjaram tanto padre mal humorado para maltratar o povo? Precisamos amar as pessoas que nós atendemos, com o coração de Cristo. Por que não são capazes de amar? Por que sua capacidade de amar está embotada. Não fazem ascese, não rezam, então a capacidade de amar desaparece. É verdade que todo o amor é também crucifixão. Você precisa, porém, sacrificar-se pelo povo. Saber dar a sua dose de sacrifício pelo povo: amá-los, dar atenção, carinho. Saiba dizer um não com um sorriso nos lábios. Saiba dizer um não com atenção, explicando as razões e não um não com um chute no traseiro. Depois nos admiramos quando as Igrejas evangélicas ficam lotadas. Os que mais falam do povo, são os que menos amam o povo.
E ainda por cima, enfatizamos muito o dízimo. Por que as pessoas não pagam o dízimo? Por que as pessoas só dão dinheiro quando vêem serviço. Se o padre não as serve, as pessoas não pagam. Esta é uma lei básica do consumidor. Muitos reclamam: o povo não paga o dízimo, mas vive mandando dinheiro para a Canção Nova! Por que? Por que eles ligam a televisão e se sentem servidos. Eles recebem alguma coisa. Ir à Igreja para ver um padre mal humorado que só sabe reclamar da vida e ainda pagar o dízimo? Pode esquecer! Amar o povo, pois esta é a nossa salvação! A salvação do pastor é ser pastor, é amar as ovelhas! Nos santificamos no amor pastoral.
3) A fraternidade presbiteral. Por que é que os padres não se sentem irmãos? Isto faz parte do ser do sacerdote. Eu não sei em que período da história da Igreja o diabo inventou a mentira maldita de que padre diocesano não pode viver em comunidade. Esta é uma mentira maldita! Esta história de clero diocesano morando sozinho é sinônimo de perigo para a nossa conversão e para o nosso celibato. Admiro profundamente os padres que vivem isto e vivem de modo equilibrado mas, nós não podemos exigir este heroísmo e esta capacidade de todos. Mas, voltando a pergunta: Por que é que os padres não se sentem irmãos? Ninguém é irmão, ninguém se sente irmão se não tem pai. A gente só se sente irmão quando tem um pai comum. Se você tem um pai que congrega os irmãos, você se sente irmão. Nas famílias em que morre o pai e a mãe, os irmãos se dispersam. Vejo em minha casa, vou sempre lá nos finais de semana, mas nunca vou na casa das minhas irmãs. Nós sempre nos reunimos como irmãos ao redor dos pais. Agora, os bispos têm complexo de autoridade e não querem ser pais. Não querem amar os seus padres.
Os bispos precisam amar os seus padres: amar dizendo não, amar dizendo sim. Amar consolando, amar corrigindo. Ser pai de verdade. A orfandade começou dentro da Igreja para os padres quando se começou a reunir padres sem um pai. Os religiosos funcionam se souberem se inserir, enquanto padres, na diocese, e ter o bispo como pai. Eles não tem, enquanto religiosos, um pai próprio, o pai deles é o bispo diocesano. O que eles tem é o irmão de turno que é eleito para assumir a função de direção – o provincial. Pai não se elege, pai a gente recebe. Nós precisamos ser irmãos ao redor de um pai e nos amar como irmãos. Portanto, saber provocar reuniões, pontos de encontro, em que gastemos o tempo com os nossos irmãos padres. Amamos quando gastamos tempo com a pessoa. Esta realidade não começa no clero, começa no seminário. Começa nessa fábrica de gente individualista chamada seminário. Por isso digo a vocês: comecem no seminário. No reitor vocês tem um pai, que vocês receberam, não escolheram.
Aprendam a amá-lo. Ah mas o meu reitor é seco como farinha! Meu irmão, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Cative o seu reitor, mas não você individualmente para ser puxa-saco dele. Junte o seu grupo do seminário e juntos queiram bem o reitor como pessoa. Ele é gente, precisa de amor, precisa de carinho. A carapaça toda da autoridade é por que vê no seminarista alguém que vai solapar, questionar a autoridade dele. O amor é capaz de remover montanhas. O amor é capaz de transformar os corações mais insensíveis quando a pessoa se sente amada. Quando forem padre, amem o bispo de vocês, gastem tempo amando o bispo de vocês. Se ele não se sente pai é por que ninguém se sente filho dele. Se você for com a atitude filial e se sentir filho e se demonstrar filho, ele começa a se sentir pai. Não fique esperando ser amado. Ame!
Estes são os três pontos para o nosso celibato: amor a Deus, amor pastoral e amor no presbitério (não existe presbitério sem bispo, portanto, amor aos padres e ao bispo). São os três lugares privilegiados nos quais precisamos amar.
Autor: Pe. Paulo Ricardo.
Fonte: http://padrepauloricardo.org/articles/celibato/
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Significados dos gestos e posições na Santa Missa.
Significados dos gestos e posições na Santa Missa
- Sentado: É uma posição cômoda, uma atitude de ficar à vontadepara ouvir e meditar, sem pressa.
- De pé: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito. Indica a prontidão e disposição para obedecer. (Posiçãode orante)
- De Joelhos: Posição de adoração a Deus diante do Santíssimo Sacramentoe durante a consagração do pão e vinho.
- Genuflexão: Éum gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existir o Sacrário.
- Inclinação: Inclinar-se diante do Santíssimo Sacramento é sinal de adoração.
- Mãos levantadas: É atitude dos orantes. Significa súplica e entrega a Deus.
- Mãos Juntas: Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida.
- Silêncio: O silêncio ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. Fazer silêncio também é necessário para interiorizar e meditar, sem ele a Missa seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.
Fonte: http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=90&scat=138&id=581
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A importância do Papa.
Ao instituir a Igreja, a partir do Colégio dos Doze Apóstolos, Jesus o quis como um grupo estável e escolheu Pedro para chefiá´lo (cf. Mt 16, 16s).
É fácil compreender essa iniciativa do Senhor.
Todo grupo humano precisa ter uma cabeça visível para manter a sua ordem e integridade.
Nenhuma instituição humana sobrevive sem observar esta lei.
O Código de Direito Canônico da Igreja, diz que:
´O Bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a Cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na terra o poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente´ (CDC,Cân.331). A Igreja, que é semelhante ao próprio Jesus, isto é, ao mesmo tempo, humana e divina, precisa também ter uma Cabeça visível. Ela tem a sua Cabeça divina, invisível, o próprio Cristo; e tem a sua Cabeça humana, o seu chefe visível, o Papa. Cristo assim o quis. Diz o Catecismo que: ´Somente a Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu como a pedra da sua Igreja. Entregou´lhe as suas chaves, instituiu´o pastor de todo o rebanho´ (§881). ´E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus´ (Mt 16,18´19). Estas palavras de Jesus são claríssimas, e só não as entende quem não quer. Não há como distorcê´las e manuseá´las. Pedro é a pedra sobre a qual Ele quis edificar a ´Sua´ Igreja. É preciso notar que o Senhor diz ´a Minha Igreja´. Usou um pronome possessivo ´Minha´; ela é propriedade Sua, é o Seu próprio Corpo, e Ele a quis construída sobre o Papa.
Não existe outra. Para não deixar dúvidas a respeito disto, no primeiro encontro que Jesus teve com Simão, trocou´lhe o nome para ´Kefas´, que quer dizer Pedro, o mesmo que pedra em aramaico. Quem nos relata isso é o evangelista São João.Pedro não se deu conta da grandiosidade daquele acontecimento, no momento, mas, certamente, se lembrou dele mais tarde. Ouçamos o evangelista contar, logo no início do seu Evangelho: ´André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João [Batista] e que o tinham seguido. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse´lhe: ´Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo). Levou´o a Jesus e Jesus, fixando nele o olhar, disse ´Tu és Simão, filho de João; serás chamado Kefas (que quer dizer pedra)´(Jo 1,40ss)´. É importante observar que ´no primeiro encontro´ com Simão, Jesus ´fixa nele o olhar´ e promete mudar o seu nome para Pedro. Isto não foi sem razão. Note também que Jesus colocou o verbo no futuro ´serás´ chamado ´Kefas´. Isto se deu, depois, na Cesaréia de Filipe: ´Tu és Pedro (Kefas)...´ A Bíblia nos indica que quando Deus muda o nome de alguém, é porque está dando a essa pessoa uma missão.Para o judeu o nome da pessoa tinha algo a ver com a sua identidade e missão. Assim, por exemplo o Anjo disse a José: ´Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus [= Yahweh salva], porque ele salvará o seu povo de seus pecados´ (Mt 1,21). Veja que o nome dado ao Messias de Deus é Jesus, designando a sua identidade divina (Yahweh) e a sua missão salvífica (salva). Um exemplo marcante de mudança de nome foi o que ocorreu com Abraão. Ele se chamava Abrão, que quer dizer ´pai elevado´, e Deus muda seu nome para Abraão, que significa ´pai de uma multidão´, porque Deus o escolhera para a grandiosa tarefa de pai do seu Povo. Diz o Gênesis: ´Abrão [note o nome antigo!] tinha noventa e nove anos. O Senhor apareceu´lhe e disse: ´Eu sou o Deus todo´poderoso. Anda em minha presença e sê íntegro, quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua descendência´. Abrão prostrou´se com o rosto por terra. Deus disse´lhe: ´Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti uma multidão de povos...´(Gen17,18). Foi um momento muito solene em que Deus escolheu o ´Pai´ do seu Povo, de onde nasceria o Salvador. É interessante notar que Deus muda também o nome de Sara, de Sarai (estéril) para Sara (fértil). ´Disse Deus a Abraão: ´Não chamarás mais a tua mulher Sarai e sim Sara. Eu a abençoarei, e dela te darei um filho. Eu a abençoarei, e ela será mãe de nações e dela sairão reis´ (Gen 17, 15´16). A mesma mudança de nome ocorreu com Jacó, o Patriarca do povo Judeu, que Deus passa a chamar de Israel (o que luta com Deus): ´Deus apareceu ainda a Jacó ... e o abençoou. Deus lhe disse: ´Tens o nome de Jacó, mas não te chamarás mais Jacó: teu nome será Israel´.Deus disse: ´Eu sou El Shaddai. Sê fecundo e multiplica´te. Uma nação, uma assembléia de nações nascerá de ti e reis sairão de teus rins. Eu te dou a terra que dei a Abraão e a Isaac...´ (Gen 35,10´13).
Nessas passagens vemos outro momento solene na história do povo de Deus, onde Ele muda o nome de Jacó para designar´lhe o Patriarca. A expressão ´El´ significa ´Deus de Israel´ (Gen 33,20). Essa ´mudança de nome´ Jesus fez também com Simão, ´no primeiro encontro´, em vista da missão solene que lhe haveria de dar mais tarde: ´Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja´ (Mt 16,18). Não resta dúvida, portanto, que Pedro, e seus sucessores, são a Pedra angular, visível, que Cristo, Pedra angular invisível, quis na Igreja. Jesus quis essa pedra visível para que ela mantivesse a unidade da Igreja e a integridade da sua doutrina na verdade que liberta e salva. Após a Ressurreição Jesus confirmou Pedro como o pastor de todo o rebanho. ´Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: ´Simão, filho de João, amas´me mais do que estes ? ´ Respondeu ele: ´Sim, Senhor, tu sabes que te amo´. Disse´lhe Jesus. ´Apascenta os meus cordeiros´ (Jo 21, 15´17)´. Por três vezes o Senhor repetiu esta pergunta a Pedro, e por três vezes lhe disse: ´Apascenta as minha ovelhas´. A nenhum outro apóstolo isto foi dito. Alguns Padres da Igreja viram nesta tríplice confirmação de Pedro como ´Pastor do rebanho´, como que uma maneira de apagar aquelas três vezes que Pedro negou tristemente o Senhor dizendo: ´Não conheço este homem´ (Jo 18,17.25´27, Mt 26,70´75). Na verdade essa repetição tríplice era a forma solene que o hebreu usava na confirmação de uma missão. É importantíssimo notar que, mesmo após Pedro ter negado Jesus tristemente, por três vezes, ainda assim o Senhor não tirou dele a chefia do rebanho. Como então ´ podemos perguntar ´ os homens querem tirar de Pedro e do Papa o Primado da Igreja, se nem mesmo Jesus, após ter sido negado e renegado por Pedro, tirou´lhe o mandato? Se Cristo manteve Pedro como o Chefe da Sua Igreja, mesmo após a tríplice negação, seremos nós, homens, que teremos a ousadia de negar´lhe o primado? Não sejamos insensatos, ´de Deus não se zomba´ (Gal 6,7), nos ensina São Paulo. Isto mostra que atentam gravemente contra a vontade expressa do Senhor aqueles que não querem aceitar a jurisdição do Papa sobre toda a Igreja universal. Desde os primeiros séculos da Igreja, o Bispo de Roma, o Papa, exerceu este primado. Vejamos, por exemplo, o que diz São Cipriano (258), bispo de Cartago, o grande defensor da unidade da Igreja, já no terceiro século: ´O Senhor diz a Pedro: ´Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar´te´ei as chaves do reino dos céus...O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: ´Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser´lhes´ão perdoados, se os retiverdes, ser´lhes´ão retidos. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo... Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?´ ( Sobre a Unidade da Igreja ). Vemos, portanto, que desde os primeiros séculos, os cristãos já tinham a noção exata de que sobre a cátedra de Pedro foi fundada a Igreja. São João Crisóstomo (407), bispo de Constantinopla, doutor da Igreja, dizia que: ´No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do Bispo de Roma.´ ´Pedro, na verdade, ficou para nós como a pedra sólida sobre a qual se apoia a fé e sobre a qual está edificada a Igreja. Tendo confessado ser Cristo o Filho de Deus vivo, foi´lhe dado ouvir: ´Sobre esta pedra ´ a da sólida fé ´ edificarei a minha Igreja´(Mt 16,18).´ ´Tornou´se enfim Pedro o alicerce firmíssimo e fundamento da Casa de Deus, quando, após negar a Cristo e cair em si, foi buscado pelo Senhor e por ele honrado com as palavras: ´apascenta as minhas ovelhas´(Jo 21,15s). Dizendo isto, o Senhor nos estimulou à conversão, e também a que de novo se edificasse solidamente sobre Pedro aquela fé, a de que ninguém perde a vida e a salvação, neste mundo, quando faz penitência sincera e se corrige de seus pecados´ (Haer. 59,c,8).
Segundo o testemunho de Santo Ireneu (202), desde o primeiro século, a Igreja de Roma tinha a primazia do ensino. Antes de dar a lista dos doze primeiros papas, ele afirma:´Porque é com essa Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda igreja, isto é, que devem concordar os fiéis procedentes de qualquer parte, ela, na qual sempre, em benefício dos que procedem de toda parte, se conservou a tradição que vem dos apóstolos´ (Contra as Heresias). Santo Agostinho, após a condenação do Pelagianismo, a heresia que desprezava a graça de Deus, no sínodo do ano 416, com a concordância do Papa Inocêncio I, pronunciou a frase que ficou célebre na Igreja:´Roma locuta, causa finita!´ (Roma falou, encerrada a questão!) S. Pedro Crisólogo (450) afirmava: ´No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do Bispo de Roma.´ Eusébio de Cesaréia (340) dá o seu tes temunho, de que Pedro viveu e morreu em Roma: ´Pedro e Paulo, indo para a Itália, vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente´ (História Eclesiástica, II 25,8). A História da Igreja, desde cedo, mostra que os sucessores de S. Pedro em Roma fizeram uso da sua jurisdição. Por exemplo na questão da data da festa da Páscoa, no século II, alguns cristãos da Ásia Menor não queriam seguir o calendário de Roma; o Papa S. Victor (189´199) ameaçou´os de excomunhão (cf. Hist. Ecles. Eusébio V 24, 9´18). Ninguém contestou o Bispo de Roma, o Papa; e parecia claro a todos os bispos que nenhum deles podia estar em comunhão com a Igreja universal (já chamada de católica) sem estar em comunhão com a Igreja de Roma. Isto mostra bem o primado de Pedro desde o início da Cristandade. Na Encíclica Mystici Corporis Christi, o Papa Pio XII mostrou muito bem que aqueles que não se ligam à Cabeça visível da Igreja, também não se ligam a Cristo, Cabeça da Igreja: ´Há os que se enganam perigosamente, crendo poder se ligar a Cristo, cabeça da igreja, sem aderir fielmente a seu Vigário na terra. Porque suprimindo esse Chefe visível, quebrando os laços luminosos da unidade, eles obscurecem e deformam o Corpo místico do Redentor a ponto de ele não poder ser reconhecido e achado dentro dos homens, procurando o porto da salvação eterna´. Qualquer um de nós no lugar de Jesus, após ter sido negado por Pedro, por três vezes, naquela hora terrível, teria dispensado Pedro da chefia da Igreja. Mas Jesus é diferente de todos nós ... manteve Pedro no timão da sua Barca. Parece´me que Jesus quis fazer o seu eleito, sentir fortemente a sua miséria, para nunca confiar em si mesmo, especialmente no governo da Igreja nascente. Pedro foi orgulhoso; ele havia dito a Jesus, momentos antes de Jesus ser preso: ´Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e a morte´ (Lc 22,33). Ao que Jesus lhe respondeu: ´Digo´te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces´ (v. 34). É importante notar que tudo isso aconteceu na mesma noite em que Jesus foi preso. Há uma verdade que os santos nos ensinam: ´é pela humilhação que nos tornamos humildes´.
Jesus deixou Pedro passar pela humilhação de negá´lo três vezes, talvez para que se tornasse humilde e apto para a chefia da Igreja. Mas é importante notar também que nessa mesma noite, Jesus disse a Pedro: ´Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos´ (Lc 22,31). Como são importantes estas palavras! Não aparece nos Evangelhos outra passagem onde se diga que Jesus orou especificamente por um Apóstolo.Satanás, quis derrubar Pedro, se possível fazer com ele, o que já tinha feito com Judas Iscariotes, mas o Senhor orou por ele: ´mas eu roguei por ti ...´. Se Pedro não desfaleceu após a tríplice negação de Jesus, se não caiu no mesmo remorso desesperador de Judas, certamente foi porque o Senhor intercedeu por ele junto do Pai. Pedro chorou amargamente o seu pecado: ´Voltando´se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor : ´hoje, antes que o galo cante, negar´me´às três vezes. Saiu dali e chorou amargamente´ (Lc 22, 61´62). Que lágrimas benditas! Lágrimas de arrependimento e de dor, mas também de confiança que vence o desespero. Com tudo isso Jesus tinha feito uma grande obra no coração do seu escolhido. Aquele olhar de Jesus para Pedro destruiu toda a presunção e orgulho do primeiro Papa. ´Voltando´se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro lembrou´se da palavra do Senhor...´(Lc 22,61). E depois de tudo isso, Jesus manteve´o no Primado da Igreja... ´Confirma os teus irmãos!´ (Lc 22.31) ´Apascenta as minhas ovelhas!´ (Jo 21,17) Esse é o ministério petrino que o Papa cumpre em todos os tempos, e que o nosso querido João Paulo II exerce viajando pelo mundo todo para confirmar na fé os seus irmãos. Já foram mais de 90 viagens pelo mundo todo... A Igreja já teve cerca de 264 Papas; chegou mesmo a ter 37 anti´Papas, que foram Papas ilegítimos; mas sempre teve o sucessor legítimo de Pedro. A permanência contínua desse ministério, contra todos os obstáculos enfrentados nesses 2000 anos, mostra´nos de maneira inequívoca de que foi instituído por Deus. É interessante notar que nenhum deles assumiu o nome de Pedro. Nunca houve o Pedro II, Pedro III; isto porque na verdade todos eles são o mesmo Pedro. Nós o chamamos de João Paulo II, mas Jesus continua a chamá´lo de Pedro. ´Tu és Pedro !´ (Mt 16,18).Certa vez São João Bosco teve um sonho profético. Viu o mar agitado pelos ventos e uma batalha acontecendo. No meio da tormenta ele viu uma grande nau dirigida pelo Papa, atravessando o oceano agitado. Duas correntes saiam de cada lado da barca e a prendiam em duas fortes colunas de alturas diferentes. Sobre a mais alta ele viu a Sagrada Hóstia num ostensório, estando escrito na sua base as palavras ´Salus credentium´ (Salvação do que crêem). Sobre a outra coluna ele viu a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e na base as palavras: ´Auxilium Christianorum´ (Auxiliadora dos Cristãos). Deus mostrou a D. Bosco, e a nós, que essas são as três salvaguardas principais da Igreja, que não permitirão jamais as portas do inferno a vencerem: a Eucaristia, Maria e o Papa.
Devemos observar que Pedro sempre foi o lider do Colégio dos Apóstolos e seu porta´voz. Muitas são as passagens onde ele aparece como o líder, antes e depois da morte e ressurreição de Jesus, evidenciando o primado de Pedro no Colégio dos Doze. Vejamos alguns exemplos. O nome de Pedro é mencionado 171 vezes no Novo Testamento. João apenas 46 vezes, é o segundo mais citado. No catálogo dos Apóstolos, Pedro é sempre citado em primeiro lugar: ´Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão ...´ (Mc 3,16). ´Eis os nomes dos doze apóstolos: ´o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão ...´ (Mt 10,1´4). ´Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos : Simão, a quem deu o nome de Pedro; André seu irmão...´ (Lc 6,12´16). Após a ressurreição de Jesus, continua Pedro sempre citado em primeiro lugar: ´Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles : ´Pedro e João, Tiago, André ...´ (At 1,13). Por outro lado, Pedro aparece sempre como o ´porta´voz´ do Grupo: ´Então perguntou´lhes Jesus: ´E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: ´Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!´ (Mt 16,15´16). É interessante notar que Pedro é também o escolhido pelo Pai para revelar aos outros a divindade de Jesus. ´Feliz és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus´ (Mt 16,17). Em outras ocasiões Pedro toma a frente: ´Pedro começou a dizer´lhe: ´Eis que deixamos tudo e te seguimos´ (Mc 10,28). ´Então Pedro se aproximou dele e disse: ´Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim ? Até sete vezes?´ (Mt 18,21). ´Disse´lhe Pedro: ´Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos? ´ (Lc 12,41). No momento difícil, após o discurso sobre a Eucaristia, quando Jesus ´checou´ até o fundo a fé dos discípulos, é Pedro quem responde : ´Então Jesus, perguntou aos Doze: ´Quereis vós também retirar´vos ? Respondeu´lhe Simão Pedro: ´Senhor, a quem iríamos nós ? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus´(Jo 6,67´69). Essas passagens mostram bem a ´escolha´ de Pedro. Em muitas outras encontramos essa expressão ´Pedro e os seus´: ´Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham deixado vencer´se pelo sono ...´ (Lc 9,32) ´Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia ...´ (Mc 16,7). É relevante notar que Jesus orou por Pedro... (Lc 22,31).
Tudo isto mostra a necessidade do Papa para a Igreja. A Pedro o Senhor quis confiar uma missão especial, simbolizado pela palavra ´Kephas´, que quer dizer Rocha, fundamento sólido sobre o qual se ergueria o edifício da Igreja, que haveria de perdurar até o fim do mundo. Por isso, o seu fundamento também há de ser duradouro; daí vemos claramente que as faculdades, os poderes dado a Pedro, hão de ser transmissíveis aos seus sucessores, como desde o princípio os Apóstolos e seus sucessores assim entenderam. Desde o início os demais Apóstolos entenderam a missão especial de Pedro, conferida a ele por Jesus, e o respeitaram. Um fato que mostra bem isso foi, por exemplo, o que aconteceu no dia de Pentecostes. É Pedro quem toma a palavra para falar ao povo : ´Pedro, de pé com os Onze, ergueu a voz e assim lhes falou: ´Homens da Judéia, e habitantes todos de Jerusalém ...´ (At 2,14 s). Em outra ocasião: ´Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu´lhes : ´Chefes do povo e anciãos, ouvi´me ...´ (At 4,8s). É bom recordarmos que o único Apóstolo que ficou aos pés da cruz do Senhor crucificado foi João; mas, ainda assim Pedro permaneceu o lider, o porta´voz deles, o chefe da Igreja, como Jesus havia querido. ´À vista disso, Pedro dirigiu´se ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais disto?´ (At 3,12´25). Outro fato importantíssimo do exercício dos poderes de Pedro, foi a admissão do primeiro pagão (Cornélio) na Igreja, em Jope, aceita por ele. Isto era algo inadmissível para os judeus. Mas Jesus mostrou a Pedro que veio salvar a todos; e, depois que Pedro viu o Espírito Santo ´cair sobre os que ouviam a palavra´ (At 10,44) na casa de Cornélio, não teve dúvidas de batizar a todos da sua casa : ´Pode´se, porventura, recusar a água do batismo a esses que, como nós, receberam o Espírito Santo? E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo´ (At 10,44´45). Esta foi a primeira vez que os pagãos (os não judeus) foram admitidos na Igreja; isto é, batizados; e por decisão de Pedro. Leia todo o texto de At 10, 1´48. Somente Pedro tinha esta autoridade. Se esta decisão ´história´ fosse tomada por outro, certamente seria muito difícil de ter sido aceita em Jerusalém. Mas, quando Pedro voltou para lá, e expôs cuidadosamente os fatos, todos aceitaram: ´Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus. E quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam´no: ´Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?´ Mas Pedro fez´lhes uma exposição de tudo o que acontecera....´ ´Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus dizendo: ´Portanto também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida´(At 11,1´18). É relevante o fato do Senhor ter introduzido os pagãos na Igreja, pelo Batismo, exatamente através de Pedro. Mais uma vez Pedro... Outro fato marcante na vida da Igreja primitiva, e que mostra claro os poderes de Pedro, foi na realização do Primeiro Concílio universal; o de Jerusalém, no ano 49. Toda a polêmica girou em torno da necessidade da circuncisão antes do pagão ser batizado. São Paulo e S. Barnabé ensinavam, na forte comunidade de Antioquia, que não era necessário a circuncisão; mas alguns cristãos, vindos de Jerusalém à Antioquia ensinavam o contrário. Houve conflito. ´Alguns homens, descendo da Judéia [à Antioquia], puseram´se a a ensinar aos irmãos o seguinte: ´Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos´.
Originou´se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu´se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém´ (At 15,1´3). Por isso aconteceu o primeiro Concílio da Igreja. Ouçamos a narração de S. Lucas : ´Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou´se e lhes disse: ´Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem ... Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo [circuncisão] que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Nós cremos que pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seremos salvos, exatamente como eles. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente´ (At 15,1´12). Só ´depois de terminarem´ (v.13) é que Tiago toma a palavra para corroborar e completar o que Pedro decidiu. Não sei sob que fundamentos alguns livros protestantes querem afirmar que foi Tiago, e não Pedro, quem presidiu o Concílio de Jerusalém. Basta ler Atos15, para se tirar facilmente a conclusão. É interessante notar também o que Pedro lembra a todos: ´há muito tempo Deus me escolheu dentre vós...´ É relevante notar ainda que Paulo e Barnabé, bem como a importante comunidade cristã de Antioquia, a mais antiga depois da de Jerusalém, não resolveu a questão da circuncisão por ela mesma, mas foram levar a decisão para Pedro e os Apóstolos em Jerusalém. Isto mostra que no Cristianismo nunca ouve comunidades ´independentes´ ou igrejas que viviam independentes dos Apóstolos. A Igreja primitiva sempre esteve sob a jurisdição dos Apóstolos e de Pedro, como podemos ver em vários fatos. ´Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuiam terras ou casas vendiam´nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam´no aos pés dos apóstolos´ (At 4,35). No episódio triste de Ananias e Safira, é pelas mãos de Pedro que eles recebem a punição de Deus pelo seu pecado: ´Pedro, porém disse : ´Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo ...´. Ao ouvir essas palavras Ananias caiu morto´ (At 5,3´6). É belo notar que: ´...traziam os doentes para as ruas e punham´nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles´ (At 5,15). Quando o sumo Sacerdote e os doutores da lei quiseram obrigar os Apóstolos ao silêncio, ´Pedro e os Apóstolos replicaram: ´importa obedecer antes a Deus do que aos homens´ (At 5,29). Sempre Pedro está na frente; e junto com os Apóstolos. Não há como negar o primado de Pedro à frente da Igreja primitiva. A jurisdição dos Apóstolos sobre a Igreja sempre se fez valer, e jamais, repito, houve ´igrejas independentes´, até a triste reforma protestante de 1517: ´Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram´lhe Pedro e João.
Estes, assim que chegaram fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo ... Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo´ (At 8,14´17). A partir deste episódio a Igreja foi descobrindo o Sacramento da Crisma, ministrado pelo Bispo. Isto mostra que os Apóstolos governavam toda a Igreja primitiva. Após a perseguição que se seguiu à morte de Estevão, muitos gentios se converteram em Antioquia, pela pregação dos dispersos que lá se refugiaram. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé à Antioquia (At 11,19´22). A Igreja de Jerusalém mantinha a vigilância. São Lucas registra que : ´Em cada Igreja [os apóstolos] instituiam anciãos e, após orações com jejuns encomendavam´nos ao Senhor, em quem tinham confiado´ (At 14,23). Esses fatos mostram claro que as igrejas particulares nunca foram independentes dos Apóstolos, e de Pedro especialmente, como querem os irmãos separados da Igreja Católica. Toda a Tradição apostólica confirma isto. São Pedro foi martirizado em Roma. As escavações realizadas sob a basílica do Vaticano nos últimos decênios, bem como os escritores antigos, confirmam isto. Os arqueólogos descobriam um túmulo cristão sob a basílica vaticana, em meio a túmulos pagãos. Esse túmulo cristão tinha acesso por uma via que devia ser muito frequentada. Foram encontradas junto a esse túmulo numerosas inscrições a carvão (graffiti), fazendo menção ao Apóstolo Pedro. Encontraram ossos de um indivíduo de 60 a 70 anos, que é muito provavelmente de S. Pedro. Quando Pedro morreu, no ano 67, os cristãos ainda não tinham cemitérios próprios, e por isso o enterraram em um cemitério pagão. Foi o imperador romano Constantino, filho de Santa Helena, que convertido ao Cristianismo, construiu a basílica de S. Pedro, no século IV. É importante notar que ele podia ter escolhido, ao lado do local onde a Basílica foi construída, um terreno mais adequado, plano e grande: o chamado ´Circo de Nero´. Ao contrário, mandou edificar a Basílica sobre um terreno fortemente inclinado e já ocupado por um cemitério, que era um local respeitado pelos romanos. Se Constantino preferiu o local acidentado e ´desrespeitou´ o cemitério, construindo sobre ele a Basílica, é porque deve ter tido uma razão forte, exatamente a presença do túmulo de São Pedro ali. Por todas essas razões os Bispos de Roma são os sucessores de Pedro, com jurisdição sobre toda a Igreja. A Igreja Católica é chamada também de Romana por ter a sua sede, a Santa Sé, em Roma. Esta denominação, embora não seja uma exigência doutrinária, não é gratuita. Firmando a sede da Sua Igreja exatamente no coração do Império Romano, aquele que quis destruir a Igreja, que sacrificou milhares de mártires, com isto Cristo mostrou ao mundo que a Sua Igreja é invencível, e que jamais os poderes do inferno a vencerão. Sua promessa se cumpre. O império romano, talvez o maior império que a humanidade já conheceu, não conseguiu vencer aqueles Doze homens simples da Galiléia; ao contrário, foi ´engolido´ pelo cristianismo. No ano 313 o imperador Constantino, filho de Santa Helena, assinava o Edito de Milão, que acabava com a perseguição contra os cristãos em todo o império. Pouco tempo depois, o imperador Teodósio oficializava o cristianismo como a religião oficial do império. Um pouco depois, um último imperador, Juliano, que passou à história com o apelido de ´o apóstata´, ainda quis voltar atrás e reinstaurar o paganismo em Roma; mas já era tarde. Dizem que morreu com esta frase nos lábios: ´Tu venceste ó Galileu!´. Como disse muito bem Daniel Rops, ´o Império se ajoelhou diante da Cruz!´ E isto na Roma dos Césares. Por isso a Igreja é romana.
Fonte: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=PAPA&id=pap0049
É fácil compreender essa iniciativa do Senhor.
Todo grupo humano precisa ter uma cabeça visível para manter a sua ordem e integridade.
Nenhuma instituição humana sobrevive sem observar esta lei.
O Código de Direito Canônico da Igreja, diz que:
´O Bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a Cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na terra o poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente´ (CDC,Cân.331). A Igreja, que é semelhante ao próprio Jesus, isto é, ao mesmo tempo, humana e divina, precisa também ter uma Cabeça visível. Ela tem a sua Cabeça divina, invisível, o próprio Cristo; e tem a sua Cabeça humana, o seu chefe visível, o Papa. Cristo assim o quis. Diz o Catecismo que: ´Somente a Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu como a pedra da sua Igreja. Entregou´lhe as suas chaves, instituiu´o pastor de todo o rebanho´ (§881). ´E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus´ (Mt 16,18´19). Estas palavras de Jesus são claríssimas, e só não as entende quem não quer. Não há como distorcê´las e manuseá´las. Pedro é a pedra sobre a qual Ele quis edificar a ´Sua´ Igreja. É preciso notar que o Senhor diz ´a Minha Igreja´. Usou um pronome possessivo ´Minha´; ela é propriedade Sua, é o Seu próprio Corpo, e Ele a quis construída sobre o Papa.
Não existe outra. Para não deixar dúvidas a respeito disto, no primeiro encontro que Jesus teve com Simão, trocou´lhe o nome para ´Kefas´, que quer dizer Pedro, o mesmo que pedra em aramaico. Quem nos relata isso é o evangelista São João.Pedro não se deu conta da grandiosidade daquele acontecimento, no momento, mas, certamente, se lembrou dele mais tarde. Ouçamos o evangelista contar, logo no início do seu Evangelho: ´André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João [Batista] e que o tinham seguido. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse´lhe: ´Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo). Levou´o a Jesus e Jesus, fixando nele o olhar, disse ´Tu és Simão, filho de João; serás chamado Kefas (que quer dizer pedra)´(Jo 1,40ss)´. É importante observar que ´no primeiro encontro´ com Simão, Jesus ´fixa nele o olhar´ e promete mudar o seu nome para Pedro. Isto não foi sem razão. Note também que Jesus colocou o verbo no futuro ´serás´ chamado ´Kefas´. Isto se deu, depois, na Cesaréia de Filipe: ´Tu és Pedro (Kefas)...´ A Bíblia nos indica que quando Deus muda o nome de alguém, é porque está dando a essa pessoa uma missão.Para o judeu o nome da pessoa tinha algo a ver com a sua identidade e missão. Assim, por exemplo o Anjo disse a José: ´Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus [= Yahweh salva], porque ele salvará o seu povo de seus pecados´ (Mt 1,21). Veja que o nome dado ao Messias de Deus é Jesus, designando a sua identidade divina (Yahweh) e a sua missão salvífica (salva). Um exemplo marcante de mudança de nome foi o que ocorreu com Abraão. Ele se chamava Abrão, que quer dizer ´pai elevado´, e Deus muda seu nome para Abraão, que significa ´pai de uma multidão´, porque Deus o escolhera para a grandiosa tarefa de pai do seu Povo. Diz o Gênesis: ´Abrão [note o nome antigo!] tinha noventa e nove anos. O Senhor apareceu´lhe e disse: ´Eu sou o Deus todo´poderoso. Anda em minha presença e sê íntegro, quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua descendência´. Abrão prostrou´se com o rosto por terra. Deus disse´lhe: ´Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti uma multidão de povos...´(Gen17,18). Foi um momento muito solene em que Deus escolheu o ´Pai´ do seu Povo, de onde nasceria o Salvador. É interessante notar que Deus muda também o nome de Sara, de Sarai (estéril) para Sara (fértil). ´Disse Deus a Abraão: ´Não chamarás mais a tua mulher Sarai e sim Sara. Eu a abençoarei, e dela te darei um filho. Eu a abençoarei, e ela será mãe de nações e dela sairão reis´ (Gen 17, 15´16). A mesma mudança de nome ocorreu com Jacó, o Patriarca do povo Judeu, que Deus passa a chamar de Israel (o que luta com Deus): ´Deus apareceu ainda a Jacó ... e o abençoou. Deus lhe disse: ´Tens o nome de Jacó, mas não te chamarás mais Jacó: teu nome será Israel´.Deus disse: ´Eu sou El Shaddai. Sê fecundo e multiplica´te. Uma nação, uma assembléia de nações nascerá de ti e reis sairão de teus rins. Eu te dou a terra que dei a Abraão e a Isaac...´ (Gen 35,10´13).
Nessas passagens vemos outro momento solene na história do povo de Deus, onde Ele muda o nome de Jacó para designar´lhe o Patriarca. A expressão ´El´ significa ´Deus de Israel´ (Gen 33,20). Essa ´mudança de nome´ Jesus fez também com Simão, ´no primeiro encontro´, em vista da missão solene que lhe haveria de dar mais tarde: ´Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja´ (Mt 16,18). Não resta dúvida, portanto, que Pedro, e seus sucessores, são a Pedra angular, visível, que Cristo, Pedra angular invisível, quis na Igreja. Jesus quis essa pedra visível para que ela mantivesse a unidade da Igreja e a integridade da sua doutrina na verdade que liberta e salva. Após a Ressurreição Jesus confirmou Pedro como o pastor de todo o rebanho. ´Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: ´Simão, filho de João, amas´me mais do que estes ? ´ Respondeu ele: ´Sim, Senhor, tu sabes que te amo´. Disse´lhe Jesus. ´Apascenta os meus cordeiros´ (Jo 21, 15´17)´. Por três vezes o Senhor repetiu esta pergunta a Pedro, e por três vezes lhe disse: ´Apascenta as minha ovelhas´. A nenhum outro apóstolo isto foi dito. Alguns Padres da Igreja viram nesta tríplice confirmação de Pedro como ´Pastor do rebanho´, como que uma maneira de apagar aquelas três vezes que Pedro negou tristemente o Senhor dizendo: ´Não conheço este homem´ (Jo 18,17.25´27, Mt 26,70´75). Na verdade essa repetição tríplice era a forma solene que o hebreu usava na confirmação de uma missão. É importantíssimo notar que, mesmo após Pedro ter negado Jesus tristemente, por três vezes, ainda assim o Senhor não tirou dele a chefia do rebanho. Como então ´ podemos perguntar ´ os homens querem tirar de Pedro e do Papa o Primado da Igreja, se nem mesmo Jesus, após ter sido negado e renegado por Pedro, tirou´lhe o mandato? Se Cristo manteve Pedro como o Chefe da Sua Igreja, mesmo após a tríplice negação, seremos nós, homens, que teremos a ousadia de negar´lhe o primado? Não sejamos insensatos, ´de Deus não se zomba´ (Gal 6,7), nos ensina São Paulo. Isto mostra que atentam gravemente contra a vontade expressa do Senhor aqueles que não querem aceitar a jurisdição do Papa sobre toda a Igreja universal. Desde os primeiros séculos da Igreja, o Bispo de Roma, o Papa, exerceu este primado. Vejamos, por exemplo, o que diz São Cipriano (258), bispo de Cartago, o grande defensor da unidade da Igreja, já no terceiro século: ´O Senhor diz a Pedro: ´Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar´te´ei as chaves do reino dos céus...O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: ´Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser´lhes´ão perdoados, se os retiverdes, ser´lhes´ão retidos. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo... Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?´ ( Sobre a Unidade da Igreja ). Vemos, portanto, que desde os primeiros séculos, os cristãos já tinham a noção exata de que sobre a cátedra de Pedro foi fundada a Igreja. São João Crisóstomo (407), bispo de Constantinopla, doutor da Igreja, dizia que: ´No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do Bispo de Roma.´ ´Pedro, na verdade, ficou para nós como a pedra sólida sobre a qual se apoia a fé e sobre a qual está edificada a Igreja. Tendo confessado ser Cristo o Filho de Deus vivo, foi´lhe dado ouvir: ´Sobre esta pedra ´ a da sólida fé ´ edificarei a minha Igreja´(Mt 16,18).´ ´Tornou´se enfim Pedro o alicerce firmíssimo e fundamento da Casa de Deus, quando, após negar a Cristo e cair em si, foi buscado pelo Senhor e por ele honrado com as palavras: ´apascenta as minhas ovelhas´(Jo 21,15s). Dizendo isto, o Senhor nos estimulou à conversão, e também a que de novo se edificasse solidamente sobre Pedro aquela fé, a de que ninguém perde a vida e a salvação, neste mundo, quando faz penitência sincera e se corrige de seus pecados´ (Haer. 59,c,8).
Segundo o testemunho de Santo Ireneu (202), desde o primeiro século, a Igreja de Roma tinha a primazia do ensino. Antes de dar a lista dos doze primeiros papas, ele afirma:´Porque é com essa Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda igreja, isto é, que devem concordar os fiéis procedentes de qualquer parte, ela, na qual sempre, em benefício dos que procedem de toda parte, se conservou a tradição que vem dos apóstolos´ (Contra as Heresias). Santo Agostinho, após a condenação do Pelagianismo, a heresia que desprezava a graça de Deus, no sínodo do ano 416, com a concordância do Papa Inocêncio I, pronunciou a frase que ficou célebre na Igreja:´Roma locuta, causa finita!´ (Roma falou, encerrada a questão!) S. Pedro Crisólogo (450) afirmava: ´No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do Bispo de Roma.´ Eusébio de Cesaréia (340) dá o seu tes temunho, de que Pedro viveu e morreu em Roma: ´Pedro e Paulo, indo para a Itália, vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente´ (História Eclesiástica, II 25,8). A História da Igreja, desde cedo, mostra que os sucessores de S. Pedro em Roma fizeram uso da sua jurisdição. Por exemplo na questão da data da festa da Páscoa, no século II, alguns cristãos da Ásia Menor não queriam seguir o calendário de Roma; o Papa S. Victor (189´199) ameaçou´os de excomunhão (cf. Hist. Ecles. Eusébio V 24, 9´18). Ninguém contestou o Bispo de Roma, o Papa; e parecia claro a todos os bispos que nenhum deles podia estar em comunhão com a Igreja universal (já chamada de católica) sem estar em comunhão com a Igreja de Roma. Isto mostra bem o primado de Pedro desde o início da Cristandade. Na Encíclica Mystici Corporis Christi, o Papa Pio XII mostrou muito bem que aqueles que não se ligam à Cabeça visível da Igreja, também não se ligam a Cristo, Cabeça da Igreja: ´Há os que se enganam perigosamente, crendo poder se ligar a Cristo, cabeça da igreja, sem aderir fielmente a seu Vigário na terra. Porque suprimindo esse Chefe visível, quebrando os laços luminosos da unidade, eles obscurecem e deformam o Corpo místico do Redentor a ponto de ele não poder ser reconhecido e achado dentro dos homens, procurando o porto da salvação eterna´. Qualquer um de nós no lugar de Jesus, após ter sido negado por Pedro, por três vezes, naquela hora terrível, teria dispensado Pedro da chefia da Igreja. Mas Jesus é diferente de todos nós ... manteve Pedro no timão da sua Barca. Parece´me que Jesus quis fazer o seu eleito, sentir fortemente a sua miséria, para nunca confiar em si mesmo, especialmente no governo da Igreja nascente. Pedro foi orgulhoso; ele havia dito a Jesus, momentos antes de Jesus ser preso: ´Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e a morte´ (Lc 22,33). Ao que Jesus lhe respondeu: ´Digo´te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces´ (v. 34). É importante notar que tudo isso aconteceu na mesma noite em que Jesus foi preso. Há uma verdade que os santos nos ensinam: ´é pela humilhação que nos tornamos humildes´.
Jesus deixou Pedro passar pela humilhação de negá´lo três vezes, talvez para que se tornasse humilde e apto para a chefia da Igreja. Mas é importante notar também que nessa mesma noite, Jesus disse a Pedro: ´Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos´ (Lc 22,31). Como são importantes estas palavras! Não aparece nos Evangelhos outra passagem onde se diga que Jesus orou especificamente por um Apóstolo.Satanás, quis derrubar Pedro, se possível fazer com ele, o que já tinha feito com Judas Iscariotes, mas o Senhor orou por ele: ´mas eu roguei por ti ...´. Se Pedro não desfaleceu após a tríplice negação de Jesus, se não caiu no mesmo remorso desesperador de Judas, certamente foi porque o Senhor intercedeu por ele junto do Pai. Pedro chorou amargamente o seu pecado: ´Voltando´se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor : ´hoje, antes que o galo cante, negar´me´às três vezes. Saiu dali e chorou amargamente´ (Lc 22, 61´62). Que lágrimas benditas! Lágrimas de arrependimento e de dor, mas também de confiança que vence o desespero. Com tudo isso Jesus tinha feito uma grande obra no coração do seu escolhido. Aquele olhar de Jesus para Pedro destruiu toda a presunção e orgulho do primeiro Papa. ´Voltando´se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro lembrou´se da palavra do Senhor...´(Lc 22,61). E depois de tudo isso, Jesus manteve´o no Primado da Igreja... ´Confirma os teus irmãos!´ (Lc 22.31) ´Apascenta as minhas ovelhas!´ (Jo 21,17) Esse é o ministério petrino que o Papa cumpre em todos os tempos, e que o nosso querido João Paulo II exerce viajando pelo mundo todo para confirmar na fé os seus irmãos. Já foram mais de 90 viagens pelo mundo todo... A Igreja já teve cerca de 264 Papas; chegou mesmo a ter 37 anti´Papas, que foram Papas ilegítimos; mas sempre teve o sucessor legítimo de Pedro. A permanência contínua desse ministério, contra todos os obstáculos enfrentados nesses 2000 anos, mostra´nos de maneira inequívoca de que foi instituído por Deus. É interessante notar que nenhum deles assumiu o nome de Pedro. Nunca houve o Pedro II, Pedro III; isto porque na verdade todos eles são o mesmo Pedro. Nós o chamamos de João Paulo II, mas Jesus continua a chamá´lo de Pedro. ´Tu és Pedro !´ (Mt 16,18).Certa vez São João Bosco teve um sonho profético. Viu o mar agitado pelos ventos e uma batalha acontecendo. No meio da tormenta ele viu uma grande nau dirigida pelo Papa, atravessando o oceano agitado. Duas correntes saiam de cada lado da barca e a prendiam em duas fortes colunas de alturas diferentes. Sobre a mais alta ele viu a Sagrada Hóstia num ostensório, estando escrito na sua base as palavras ´Salus credentium´ (Salvação do que crêem). Sobre a outra coluna ele viu a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e na base as palavras: ´Auxilium Christianorum´ (Auxiliadora dos Cristãos). Deus mostrou a D. Bosco, e a nós, que essas são as três salvaguardas principais da Igreja, que não permitirão jamais as portas do inferno a vencerem: a Eucaristia, Maria e o Papa.
Devemos observar que Pedro sempre foi o lider do Colégio dos Apóstolos e seu porta´voz. Muitas são as passagens onde ele aparece como o líder, antes e depois da morte e ressurreição de Jesus, evidenciando o primado de Pedro no Colégio dos Doze. Vejamos alguns exemplos. O nome de Pedro é mencionado 171 vezes no Novo Testamento. João apenas 46 vezes, é o segundo mais citado. No catálogo dos Apóstolos, Pedro é sempre citado em primeiro lugar: ´Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão ...´ (Mc 3,16). ´Eis os nomes dos doze apóstolos: ´o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão ...´ (Mt 10,1´4). ´Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos : Simão, a quem deu o nome de Pedro; André seu irmão...´ (Lc 6,12´16). Após a ressurreição de Jesus, continua Pedro sempre citado em primeiro lugar: ´Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles : ´Pedro e João, Tiago, André ...´ (At 1,13). Por outro lado, Pedro aparece sempre como o ´porta´voz´ do Grupo: ´Então perguntou´lhes Jesus: ´E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: ´Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!´ (Mt 16,15´16). É interessante notar que Pedro é também o escolhido pelo Pai para revelar aos outros a divindade de Jesus. ´Feliz és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus´ (Mt 16,17). Em outras ocasiões Pedro toma a frente: ´Pedro começou a dizer´lhe: ´Eis que deixamos tudo e te seguimos´ (Mc 10,28). ´Então Pedro se aproximou dele e disse: ´Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim ? Até sete vezes?´ (Mt 18,21). ´Disse´lhe Pedro: ´Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos? ´ (Lc 12,41). No momento difícil, após o discurso sobre a Eucaristia, quando Jesus ´checou´ até o fundo a fé dos discípulos, é Pedro quem responde : ´Então Jesus, perguntou aos Doze: ´Quereis vós também retirar´vos ? Respondeu´lhe Simão Pedro: ´Senhor, a quem iríamos nós ? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus´(Jo 6,67´69). Essas passagens mostram bem a ´escolha´ de Pedro. Em muitas outras encontramos essa expressão ´Pedro e os seus´: ´Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham deixado vencer´se pelo sono ...´ (Lc 9,32) ´Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia ...´ (Mc 16,7). É relevante notar que Jesus orou por Pedro... (Lc 22,31).
Tudo isto mostra a necessidade do Papa para a Igreja. A Pedro o Senhor quis confiar uma missão especial, simbolizado pela palavra ´Kephas´, que quer dizer Rocha, fundamento sólido sobre o qual se ergueria o edifício da Igreja, que haveria de perdurar até o fim do mundo. Por isso, o seu fundamento também há de ser duradouro; daí vemos claramente que as faculdades, os poderes dado a Pedro, hão de ser transmissíveis aos seus sucessores, como desde o princípio os Apóstolos e seus sucessores assim entenderam. Desde o início os demais Apóstolos entenderam a missão especial de Pedro, conferida a ele por Jesus, e o respeitaram. Um fato que mostra bem isso foi, por exemplo, o que aconteceu no dia de Pentecostes. É Pedro quem toma a palavra para falar ao povo : ´Pedro, de pé com os Onze, ergueu a voz e assim lhes falou: ´Homens da Judéia, e habitantes todos de Jerusalém ...´ (At 2,14 s). Em outra ocasião: ´Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu´lhes : ´Chefes do povo e anciãos, ouvi´me ...´ (At 4,8s). É bom recordarmos que o único Apóstolo que ficou aos pés da cruz do Senhor crucificado foi João; mas, ainda assim Pedro permaneceu o lider, o porta´voz deles, o chefe da Igreja, como Jesus havia querido. ´À vista disso, Pedro dirigiu´se ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais disto?´ (At 3,12´25). Outro fato importantíssimo do exercício dos poderes de Pedro, foi a admissão do primeiro pagão (Cornélio) na Igreja, em Jope, aceita por ele. Isto era algo inadmissível para os judeus. Mas Jesus mostrou a Pedro que veio salvar a todos; e, depois que Pedro viu o Espírito Santo ´cair sobre os que ouviam a palavra´ (At 10,44) na casa de Cornélio, não teve dúvidas de batizar a todos da sua casa : ´Pode´se, porventura, recusar a água do batismo a esses que, como nós, receberam o Espírito Santo? E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo´ (At 10,44´45). Esta foi a primeira vez que os pagãos (os não judeus) foram admitidos na Igreja; isto é, batizados; e por decisão de Pedro. Leia todo o texto de At 10, 1´48. Somente Pedro tinha esta autoridade. Se esta decisão ´história´ fosse tomada por outro, certamente seria muito difícil de ter sido aceita em Jerusalém. Mas, quando Pedro voltou para lá, e expôs cuidadosamente os fatos, todos aceitaram: ´Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus. E quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam´no: ´Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?´ Mas Pedro fez´lhes uma exposição de tudo o que acontecera....´ ´Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus dizendo: ´Portanto também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida´(At 11,1´18). É relevante o fato do Senhor ter introduzido os pagãos na Igreja, pelo Batismo, exatamente através de Pedro. Mais uma vez Pedro... Outro fato marcante na vida da Igreja primitiva, e que mostra claro os poderes de Pedro, foi na realização do Primeiro Concílio universal; o de Jerusalém, no ano 49. Toda a polêmica girou em torno da necessidade da circuncisão antes do pagão ser batizado. São Paulo e S. Barnabé ensinavam, na forte comunidade de Antioquia, que não era necessário a circuncisão; mas alguns cristãos, vindos de Jerusalém à Antioquia ensinavam o contrário. Houve conflito. ´Alguns homens, descendo da Judéia [à Antioquia], puseram´se a a ensinar aos irmãos o seguinte: ´Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos´.
Originou´se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu´se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém´ (At 15,1´3). Por isso aconteceu o primeiro Concílio da Igreja. Ouçamos a narração de S. Lucas : ´Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou´se e lhes disse: ´Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem ... Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo [circuncisão] que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Nós cremos que pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seremos salvos, exatamente como eles. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente´ (At 15,1´12). Só ´depois de terminarem´ (v.13) é que Tiago toma a palavra para corroborar e completar o que Pedro decidiu. Não sei sob que fundamentos alguns livros protestantes querem afirmar que foi Tiago, e não Pedro, quem presidiu o Concílio de Jerusalém. Basta ler Atos15, para se tirar facilmente a conclusão. É interessante notar também o que Pedro lembra a todos: ´há muito tempo Deus me escolheu dentre vós...´ É relevante notar ainda que Paulo e Barnabé, bem como a importante comunidade cristã de Antioquia, a mais antiga depois da de Jerusalém, não resolveu a questão da circuncisão por ela mesma, mas foram levar a decisão para Pedro e os Apóstolos em Jerusalém. Isto mostra que no Cristianismo nunca ouve comunidades ´independentes´ ou igrejas que viviam independentes dos Apóstolos. A Igreja primitiva sempre esteve sob a jurisdição dos Apóstolos e de Pedro, como podemos ver em vários fatos. ´Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuiam terras ou casas vendiam´nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam´no aos pés dos apóstolos´ (At 4,35). No episódio triste de Ananias e Safira, é pelas mãos de Pedro que eles recebem a punição de Deus pelo seu pecado: ´Pedro, porém disse : ´Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo ...´. Ao ouvir essas palavras Ananias caiu morto´ (At 5,3´6). É belo notar que: ´...traziam os doentes para as ruas e punham´nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles´ (At 5,15). Quando o sumo Sacerdote e os doutores da lei quiseram obrigar os Apóstolos ao silêncio, ´Pedro e os Apóstolos replicaram: ´importa obedecer antes a Deus do que aos homens´ (At 5,29). Sempre Pedro está na frente; e junto com os Apóstolos. Não há como negar o primado de Pedro à frente da Igreja primitiva. A jurisdição dos Apóstolos sobre a Igreja sempre se fez valer, e jamais, repito, houve ´igrejas independentes´, até a triste reforma protestante de 1517: ´Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram´lhe Pedro e João.
Estes, assim que chegaram fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo ... Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo´ (At 8,14´17). A partir deste episódio a Igreja foi descobrindo o Sacramento da Crisma, ministrado pelo Bispo. Isto mostra que os Apóstolos governavam toda a Igreja primitiva. Após a perseguição que se seguiu à morte de Estevão, muitos gentios se converteram em Antioquia, pela pregação dos dispersos que lá se refugiaram. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé à Antioquia (At 11,19´22). A Igreja de Jerusalém mantinha a vigilância. São Lucas registra que : ´Em cada Igreja [os apóstolos] instituiam anciãos e, após orações com jejuns encomendavam´nos ao Senhor, em quem tinham confiado´ (At 14,23). Esses fatos mostram claro que as igrejas particulares nunca foram independentes dos Apóstolos, e de Pedro especialmente, como querem os irmãos separados da Igreja Católica. Toda a Tradição apostólica confirma isto. São Pedro foi martirizado em Roma. As escavações realizadas sob a basílica do Vaticano nos últimos decênios, bem como os escritores antigos, confirmam isto. Os arqueólogos descobriam um túmulo cristão sob a basílica vaticana, em meio a túmulos pagãos. Esse túmulo cristão tinha acesso por uma via que devia ser muito frequentada. Foram encontradas junto a esse túmulo numerosas inscrições a carvão (graffiti), fazendo menção ao Apóstolo Pedro. Encontraram ossos de um indivíduo de 60 a 70 anos, que é muito provavelmente de S. Pedro. Quando Pedro morreu, no ano 67, os cristãos ainda não tinham cemitérios próprios, e por isso o enterraram em um cemitério pagão. Foi o imperador romano Constantino, filho de Santa Helena, que convertido ao Cristianismo, construiu a basílica de S. Pedro, no século IV. É importante notar que ele podia ter escolhido, ao lado do local onde a Basílica foi construída, um terreno mais adequado, plano e grande: o chamado ´Circo de Nero´. Ao contrário, mandou edificar a Basílica sobre um terreno fortemente inclinado e já ocupado por um cemitério, que era um local respeitado pelos romanos. Se Constantino preferiu o local acidentado e ´desrespeitou´ o cemitério, construindo sobre ele a Basílica, é porque deve ter tido uma razão forte, exatamente a presença do túmulo de São Pedro ali. Por todas essas razões os Bispos de Roma são os sucessores de Pedro, com jurisdição sobre toda a Igreja. A Igreja Católica é chamada também de Romana por ter a sua sede, a Santa Sé, em Roma. Esta denominação, embora não seja uma exigência doutrinária, não é gratuita. Firmando a sede da Sua Igreja exatamente no coração do Império Romano, aquele que quis destruir a Igreja, que sacrificou milhares de mártires, com isto Cristo mostrou ao mundo que a Sua Igreja é invencível, e que jamais os poderes do inferno a vencerão. Sua promessa se cumpre. O império romano, talvez o maior império que a humanidade já conheceu, não conseguiu vencer aqueles Doze homens simples da Galiléia; ao contrário, foi ´engolido´ pelo cristianismo. No ano 313 o imperador Constantino, filho de Santa Helena, assinava o Edito de Milão, que acabava com a perseguição contra os cristãos em todo o império. Pouco tempo depois, o imperador Teodósio oficializava o cristianismo como a religião oficial do império. Um pouco depois, um último imperador, Juliano, que passou à história com o apelido de ´o apóstata´, ainda quis voltar atrás e reinstaurar o paganismo em Roma; mas já era tarde. Dizem que morreu com esta frase nos lábios: ´Tu venceste ó Galileu!´. Como disse muito bem Daniel Rops, ´o Império se ajoelhou diante da Cruz!´ E isto na Roma dos Césares. Por isso a Igreja é romana.
Fonte: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=PAPA&id=pap0049
Catequese do Papa: São Tomás de Aquino, o “Doutor Angélico”.
Catequese do Papa: São Tomás de Aquino, o “Doutor Angélico”
Intervenção na audiência geral de 2 de junho de 2010
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.
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Queridos irmãos e irmãs:
Após algumas catequeses sobre o sacerdócio e minhas últimas viagens, voltamos hoje ao nosso tema principal, isto é, para a meditação sobre alguns grandes pensadores da Idade Média. Havíamos visto a grande figura de São Boaventura, franciscano, e hoje gostaria de falar daquele que a Igreja chama o Doctor communis: São Tomás de Aquino. Meu adorado antecessor, o Papa João Paulo II, em sua encíclica Fides et ratio, lembrou que São Tomás "sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do modo certo de fazer teologia" (n. 43). Não surpreende que, depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás seja citado mais que qualquer outro, até 61 vezes! Foi chamado também Doctor Angelicus, talvez por suas virtudes, em particular a sublimidade de seu pensamento e a pureza de sua vida.
Tomás nasceu entre 1224 e 1225, no castelo que sua família, nobre e rica, possuía em Roccasecca, nas proximidades de Aquino, perto da célebre abadia de Monte Cassino, onde foi enviado por seus pais para receber os primeiros elementos de sua instrução. Um ano depois, mudou-se para a capital do Reino de Sicília, Nápoles, onde Federico II havia fundado uma prestigiosa Universidade. Nela era ensinado, sem as limitações existentes em outros lugares, o pensamento do filósofo grego Aristóteles, a quem o jovem Tomás foi apresentado e de quem intuiu grande valor imediatamente. Mas, sobretudo naqueles anos transcorridos em Nápoles, nasceu sua vocação dominicana. Tomás foi, de fato, atraído pelo ideal da ordem fundada não muitos anos antes por São Domingos. Contudo, quando revestiu o hábito dominicano, sua família opôs-se a esta escolha, obrigando-o a deixar o convento e a passar algum tempo em família.
Em 1245, já maior de idade, pôde retomar seu caminho de resposta ao chamado de Deus. Foi enviado a Paris para estudar teologia, sob a orientação de outro santo, Alberto Magno, sobre o qual falei recentemente. Alberto e Tomás estreitaram uma verdadeira e profunda amizade e aprenderam a estimar-se e a apreciar-se, até o ponto que Alberto quis que seu discípulo o acompanhasse, também, a Colônia, aonde ele havia sido enviado pelos superiores da ordem para fundar um estudo teológico. Tomás manteve, então, contato com todas as obras de Aristóteles e de seus comentaristas árabes, que Alberto ilustrava e explicava.
Naquele período, a cultura do mundo latino estava profundamente estimulada pelo encontro com as obras de Aristóteles, que haviam sido ignoradas por muito tempo. Tratava-se de textos sobre a natureza do conhecimento, sobre ciências naturais, sobre metafísica, sobre a alma e sobre a ética, repletos de informações e instruções que pareciam válidas e convincentes. Era toda uma visão completa do mundo elaborada sem e antes de Cristo, com a pura razão, e parecia impor-se à razão como "a" própria visão; era, portanto, uma fascinação incrível para os jovens verem e conhecerem esta filosofia. Muitos acolheram com entusiasmo, até mesmo com entusiasmo acrítico, esta enorme bagagem do antigo conhecimento, que parecia poder renovar vantajosamente a cultura, abrir totalmente novos horizontes. Outros, porém, temiam que o pensamento pagão de Aristóteles estivesse em oposição à fé cristã e recusavam estudá-lo.
Encontraram-se duas culturas: a cultura pré-cristã de Aristóteles, com sua racionalidade radical, e a cultura clássica cristã. Certos ambientes eram levados à rejeição de Aristóteles, também pela apresentação que deste filósofo faziam os comentaristas árabes Avicena e Averróis. Na realidade, foram eles que transmitiram para o mundo latino a filosofia aristotélica. Por exemplo, estes comentaristas tinham ensinado que os homens não têm uma inteligência pessoal, mas que há um único intelecto universal, uma substância espiritual comum a todos, que opera em todos como "única": portanto, uma despersonalização do homem. Outro ponto discutível transmitido pelos comentaristas árabes era aquele segundo o qual o mundo é eterno como Deus. Desencadearam-se, compreensivelmente, disputas sem fim no mundo universitário e no eclesiástico. A filosofia aristotélica ia se difundindo, inclusive pelas pessoas simples.
Tomás de Aquino, na escola de Alberto Magno, realizou uma operação de fundamental importância para a história da filosofia e da teologia, diria que para a história da cultura: estudou a fundo Aristóteles e seus intérpretes, procurando novas traduções latinas dos textos originais em grego. Assim, não se apoiava apenas nos comentaristas árabes, sendo que podia ler pessoalmente os textos originais, e comentou grande parte dos trabalhos aristotélicos, distinguindo neles o que era válido do que era duvidoso ou completamente rejeitável, mostrando a concordância com os dados da Revelação cristã e utilizando ampla e intensamente o pensamento aristotélico na exposição dos manuscritos teológicos que compôs. Em definitivo, Tomás de Aquino mostrou que entre a fé cristã e a razão subsiste uma harmonia natural. E esta é a grande obra de Tomás, que, naquele momento de confrontação entre duas culturas - momento em que parecia que a fé teria que render-se à razão -, mostrou que ambas caminham juntas; que, quando a razão parecia incompatível com a fé, não era razão, e quando a fé parecia opor-se à verdadeira racionalidade, não era fé; assim, criou uma nova síntese, que formou a cultura dos séculos seguintes.
Por seus excelentes dotes intelectuais, Tomás foi chamado a Paris como professor de teologia na cátedra dominicana. Aqui começou também sua produção literária, que prosseguiu até sua morte e que tem algo de prodigioso: comentários à Sagrada Escritura, porque o professor de teologia era, sobretudo, intérprete da Escrituras, comentários aos manuscritos de Aristóteles, obras sistemáticas poderosas, entre as quais sobressai a Summa Theologiae, tratados e discursos sobre argumentos diversos. Para a composição de seus textos, era ajudado por alguns secretários, entre eles seu irmão Reginaldo de Piperno, que o seguiu fielmente e ao qual esteve ligado por uma amizade sincera e fraterna, caracterizada por uma grande confiança. Esta é uma característica dos santos: eles cultivavam a amizade, porque esta é uma das manifestações mais nobres do coração humano e tem em si algo de divino, como Tomás mesmo explicou em algumas quaestiones da Summa Theologia, na qual escreve: "A caridade é a amizade do homem com Deus principalmente, e com os seres que Lhe pertencem (II, q. 23, a.1)".
Não permaneceu durante muito tempo e de um modo estável em Paris. Em 1259 participou do Capítulo Geral dos Dominicanos para Valenciennes, onde foi membro de uma comissão que estabeleceu o programa de estudos da ordem. De 1261 a 1265, depois, Tomás esteve em Orvieto. O Pontífice Urbano IV, que sentia por ele uma grande estima, o encarregou da composição dos textos litúrgicos para a festa de Corpus Domini, que celebramos amanhã, instituída depois do milagre eucarístico de Bolsena. Tomás teve uma alma perfeitamente eucarística. Os belíssimos hinos que a liturgia da Igreja canta para celebrar o mistério da presença real do Corpo e do Sangue do Senhor, na Eucaristia são atribuídos à sua fé e à sua sabedoria teológica. Entre 1265 e 1268, Tomás residiu em Roma, onde, provavelmente, dirigia um Studium, quer dizer, uma Casa de Estudos da Ordem, e onde começou a escrever sua Summa Theologiae (cf. Jean-Pierre Torrell, Tommaso d'Aquino. L'uomo e il teologo, Casale Monf., 1994, pp. 118-184).
Em 1269, foi chamado novamente a Paris para um segundo ciclo de ensinos. Os estudantes - compreende-se - estavam encantados com suas lições. Um ex-aluno seu declarou que uma enorme multidão de estudantes seguia os cursos de Tomás, tanto que as salas de aula não conseguiam comportar-lhes, e acrescentou, com uma anotação pessoal que "escutá-lo era para ele uma felicidade profunda". A interpretação de Aristóteles dada por Tomás não era aceita por todos, mas até mesmo seus adversários no campo acadêmico, como Godofredo de Fontaines, por exemplo, admitiam que a doutrina de Tomás era superior a outras por sua utilidade e valor e servia a todos os demais doutores. Talvez também para subtraí-lo das vivazes discussões em curso, os superiores enviaram-no mais uma vez a Nápoles, para colocar-se à disposição do rei Carlos I, que queria organizar os estudos universitários.
Além do estudo e do ensino, Tomás dedicou-se também à pregação ao povo. E também o povo ia de bom grado escutá-lo. Diria que é verdadeiramente uma graça grande quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. Por outro lado, o ministério da pregação ajuda os próprios especialistas em teologia, num saudável realismo pastoral, e enriquece de estímulos vivazes sua investigação.
Os últimos meses da vida terrena de Tomás permanecem rodeados de uma atmosfera particular, diria misteriosa. Em dezembro de 1273, chamou seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe sua decisão de interromper todo o trabalho, porque durante a celebração da Missa havia compreendido, a partir de uma revelação sobrenatural, que tudo que ele tinha escrito até então era apenas "um montão de palha". É um episódio misterioso que nos ajuda compreender não apenas a humildade pessoal de Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que chegamos a pensar e a dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso. Um mês depois, cada vez mais absorto em uma meditação pensativa, Tomás morreu enquanto estava de viagem para Lyon, aonde ia para participar do Concílio Ecumênico proclamado pelo Papa Gregório X. Apagou-se na Abadia Cisterciense de Fossanova, após ter recebido o Viático com sentimentos de grande piedade.
A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, Domingo de Caserta, o sacristão da igreja, sentiu desenvolver-se um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: "Tu tens falado bem de mim, Tomás. Qual será tua recompensa?". E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre quisemos dizer: "Nada mais que Tu, Senhor" (Ibidem, p. 320).
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:
São Tomás de Aquino é proposto pela Igreja como mestre de pensamento e modelo quanto ao reto modo de fazer teologia. Nascido na primeira metade do século XIII, no seio de uma família nobre e rica, fez os primeiros estudos na abadia beneditina de Monte Cassino, seguindo depois para Nápoles, onde teve o primeiro contato com as obras de Aristóteles. Aí decide fazer-se dominicano, enfrentando a oposição familiar. Enviado a Paris, teve como professor Santo Alberto Magno, com quem pôde aprofundar nos estudos aristotélicos: com efeito, as obras deste filósofo grego eram vistas por muitos como contrárias à fé cristã, mas Tomás soube distinguir aquilo que era válido, do que era duvidoso ou mesmo contrário à fé, mostrando assim a harmonia natural entre a fé cristã e a razão. Escreveu inúmeras obras, dentre as quais se destaca a Summa Theologiae. Profundo amante do mistério eucarístico, compôs os textos litúrgicos da festa de Corpus Christi. Depois de uma experiência mística enquanto celebrava a Missa, decidiu interromper a sua produção literária, reconhecendo humildemente que tudo quanto tinha escrito era infinitamente superado pela grandeza e beleza de Deus. Morreu a caminho do concílio ecumênico de Lion.
Uma saudação afetuosa a todos os peregrinos vindos do Brasil e demais países lusófonos, nomeadamente os fiéis da diocese de Serrinha, acompanhados do seu bispo, Dom Ottorino Assolari! Possa cada um de vós encontrar Jesus Cristo vivo e operante na Igreja através da sua presença real na Eucaristia. E assim, fortalecidos com a sua graça, possais servi-lo nos irmãos. De coração, a todos abençoo. Ide com Deus!
[Tradução: Cláudio Luís Campos Mendes]
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010.
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sábado, 28 de agosto de 2010
Dilma e os patos. Ou: petista faz chacota de católicos.
Dilma e os patos. Ou: petista faz chacota de católicos
Ainda nesta terça, porta-vozes do PT disfarçados de jornalistas escreverão coisas mais ou menos assim: “Este veículo (escolham qual) apurou que a candidata Dilma Rousseff não quer salto alto na campanha e que ela considera que ainda não venceu a disputa…” Nota: antigamente, sempre que se recorria à fórmula “este veículo apurou”, o propósito era informar alguma coisa que contestava a fala oficial da personagem da notícia. Com a chegada do PT ao poder, os áulicos conseguiram criar o estilo do “repórter farejador a favor”, que “apura” justamente o que a personagem quer que ele noticie. Franklin Martins, João Santana e José Eduardo Dutra lhes contam os “segredos” do partido, e eles não economizam: “Este veículo apurou…” Vocês sabem como “farejar” é um hábito antigo dos mamíferos, especialmente os que têm os pés no chão — os quatro, quero dizer…
Por que isso? Dilma Rousseff tinha prometido comparecer ao debate promovido ontem pela TV Canção Nova e pela Rede Aparecida de Comunicação, emissoras de rádio e TV católicas. Deu o cano. Faltou. Alegou problema de agenda. Enquanto o debate corria, a candidata postou no Twitter: “Olha q interessante, o Pato Fu interpretando músicas de sucesso usando instrumentos de brinquedo”. Alertado por assessores, o candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, levou a informação ao ar: “Sabe o que ela está fazendo? Tuitando! (…) Os meus tuiteiros disseram que ela está agora assistindo a uma banda chamada Pato Fu”.
Dilma — ou quem quer que escreva o seu Twitter — estava fazendo chacota dos seus adversários e, obviamente, dos católicos, que, estou certo, gostariam de ouvi-la sobre alguns temas, especialmente porque a candidata acaba de assinar uma “Carta ao Povo de Deus”, em que procura negar o seu óbvio alinhamento com a legalização do aborto, tese que já chegou a defender claramente em entrevista. Não só isso: o decreto do Programa Nacional de Direitos Humanos, que ganhou forma na Casa Civil, fazia a defesa explícita da legalização.
Por que Dilma faltou com a palavra empenhada e preferiu ficar assistindo a um vídeo do Pato Fu? Porque considera que a eleição já está no papo e que o confronto entre os candidatos não é mais matéria do seu interesse. Supostamente detentora dos votos de que precisa para se eleger, não se sente na obrigação de explicar mais nada a ninguém. Candidatos não são obrigados a participar de debates, é claro — a menos que tenham se comprometido a fazê-lo.
A ausência busca caracterizar, no extremo da arrogância, o evento como um encontro de derrotados. Dilma, a rigor, nunca quis saber dos eleitores porque tem aquele que considera o único eleitor realmente relevante: Lula. O resto é só um bando de patos fu…
Por Reinaldo Azevedo
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-e-os-patos-ou-petista-faz-chacota-de-catolicos/
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sábado, 14 de agosto de 2010
Carta de Dom Manoel Pestana Filho.
Anápolis, 11 de agosto de 2010
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11334-carta-de-dom-manoel-pestana-filho.html
Caros irmãos no Episcopado,
Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.
Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora "Continente da Esperança", como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na ante-câmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.
Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 ("a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc."). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.
Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, além disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?
Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.
Dom Manoel Pestana Filho
Bispo Emérito de Anápolis
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11334-carta-de-dom-manoel-pestana-filho.html
Caros irmãos no Episcopado,
Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.
Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora "Continente da Esperança", como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na ante-câmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.
Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 ("a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc."). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.
Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, além disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?
Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.
Dom Manoel Pestana Filho
Bispo Emérito de Anápolis
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Prof. Felipe Aquino e o Pe. Paulo Ricardo respondem a um ataque protestante.
Trecho do programa "Escola da Fé" que foi ao ar dia 29/07/2010, onde Pe Paulo Ricardo responde de forma clara à ataque de protestante que à Igreja Católica atravès de e-mail.
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Coroação se S. Luís.
Sagração de S. Luís IX, na Catedral de Reims.

